A Joia Coruja e o Menino Rico

Uma família tradicional conhecida por ostentar riquezas com ouros e brilhantes vivia na cidade grande. A filha mais velha – de cinco irmãos – em trabalho de parto – ouvia ecoar às duas da manhã um choro bem alto. Com os olhos bem graúdos, nascia o Menico – o Menino Rico. Todos comemoravam; era muita alegria e festa.

Repentinamente, surge nos aposentos do recém nascido um velho morador de rua. Todo maltrapilho, contrastava o colar de ouro e brilhante – uma joia com formato de coruja -entregue à mãe com intuito de proteger a criança. Mas havia uma condição. Qualquer tipo de discriminação, cortaria o efeito da magia.

A mãe hostilizou o coitado por sua paupérrima condição. Mas, claro, aceitou o mimo por se tratar de joia rara e valiosa, a qual logo tratou de pendurar no pescoço do pequeno rebento.

À medida que o Menico crescia, demostrava seu instinto malvado. Tinha pouquíssimos amigos e fazia coisas estranhas como jogar todo e qualquer lixo no canal. Era comum vê-lo amarrar um tijolo no rabo do gato e jogar ao alto para pendurá-lo nos fios de luz. Badocadas nos pássaros era de suas diversões favoritas, assim como apertar o pescoço de pintos de um dia. Eram tantas as atrocidades contra os animais e o meio ambiente, que os vizinhos não aguentavam mais.

Certo dia, o Menico subiu no topo de uma árvore. Lá encontrou um ninho de coruja; nele um filhotinho. Não pensou duas vezes, e retirou aquele minúsculo pássaro indefeso do aconchego das asas da mãe.

Numa gaiola, passou a alimentar o seu animal de estimação. Tudo escondido da sua mãe. A comida não era convencional e fazia parte de mais uma maldade que não tinha limites. Pela manhã ele servia ao bichinho isqueiro, tampa de garrafa e água sanitária. Ao meio dia, ferro, pilha e chorume; e, à noite, vidro, plástico e soda cáustica.
O bicho foi crescendo com toda aquela parafernália alimentar.

Certo dia, o Menico foi para a casa de parentes e só voltou muito tarde, já à noite. Ele esquecera a comida da coruja, a qual passou o dia todo com fome, Intuitivamente, foi logo ao encontro do seu brinquedo engaiolado, que com o passar do tempo havia crescido e em nada lembrava aquela indefesa corujinha.

Para sua surpresa, o bichão estava solto; à sua espera e… faminto. O brilho do colar no pescoço do Menico foi suficiente para uma bicada certeira. Assim, comeu o ouro, o brilhante, o menino e bebeu seu sangue.
A mãe do Menico – que viu os olhos do filho no olhar da grande Joiuja, a Jóia Coruja em forma de escultura de ouro e brilhante – teve um enfarte e morreu do coração em seguida.

Reza a lenda que a Joiuja e o Menico são vistos nos telhados das casas rasgando mortalhas e piscando os olhos para as pessoas que jogam lixo nas ruas e que agridem os animais e o meio ambiente.

Ilustração e texto do pintor Catamisto André Soares Monteiro: artista Brasileiro, nascido no Recife no ano de 1967 que une em seu trabalho sustentabilidade e arte de forma lúdica, colorida e de grande relevância social. André é autodidata e o idealizador do Catamisto – Catar e Misturar o lixo e transformar em arte humanitária.