A Menina no Cemitério

Há algum tempo, uma das minhas tias foi até o cemitério de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife, para levar flores ao túmulo do pai dela. Era uma tarde tranquila e, ao chegar ao jazigo, como de costume ela pegou o jarrinho que mantinha sempre com flores naturais, retirou as plantas secas para lavar e colocar as novas flores.

Quando ela estava se encaminhando para uma torneira próxima, notou que uma menina estava ao seu lado. Achou estranho o fato de uma criança estar num cemitério sozinha. Mesmo assim riu para a menina que pediu a ela aquelas flores murchas que seriam jogadas fora. Minha tia perguntou o que ela queria com aquelas flores já velhas e secas. A menininha disse que iriam ser colocadas num túmulo e apontou a direção. Porém, minha tia disse que ela aguardasse um pouco que ela iria separar um pouco das flores novas para que ela colocasse no local, pois as murchas – claro – já não estavam boas.

Quando terminou de lavar o jarro e foi dar as flores para a menina, não encontrou mais ninguém no cemitério. Minha tia então terminou as orações e teve a curiosidade de ir até o túmulo apontado pela garotinha para ver a quem a ela iria dar a flores. Descobriu que a foto que tinha no mármore estava riscada, como se alguém tivesse passado algum objeto de ponta a fim de apagar o rosto da foto. Ela achou esse fato estranho e foi embora.

Numa outra ocasião, quando minha tia foi cumprir seu ritual de troca das flores, ao passar próximo ao túmulo misterioso, ela de novo olhou a foto, que tinha sido recuperada. Ficou espantada aos constatar que quem repousava para sempre lá era a pobre menina que havia lhe pedido flores dias antes.

Relato da leitora Elisângela Dias