A Misteriosa Mulher da Fazenda

Esta história se passou no início dos anos 90, quando eu era aluno do curso de Medicina da Universidade de Pernambuco. Tinha uma turma de amigos muito animada, e sempre marcávamos de sair no fim de semana. Certa vez, nas férias, combinamos de fazer um churrasco na fazenda dos pais de Paulo, colega de curso. Era um pouco longe – São Vicente Férrer, interior do estado – mas era diversão garantida. Levei Cláudia, minha então namorada, e que hoje é a minha esposa.

A fazenda era em um terreno plano com um vasto capinzal onde pastavam algumas cabeças de gado. A casa principal era num estilo rústico com tijolo aparente. Havia alguns cavalos, piscina, campo de vôlei e um salão de jogos, onde existia uma mesa de pingue-pongue e outra de sinuca. O salão era um pouco mais afastado da casa e tinha dois quartos para hóspedes, já mobiliados. Como éramos cinco casais e a casa tinha apenas três quartos, decidimos que dois casais ficariam nos quartos do salão. Paulo foi contra a ideia. Disse que não era preciso, que todos poderiam dormir na casa. Ficaria mais apertado, mas seria divertido. Mesmo assim decidimos ir para os quartos do salão, afinal teríamos mais privacidade. Na hora decidimos quem iria para o salão: eu, Cláudia, Miguel e Alice, casal que também estudava comigo na Universidade. À noite, na hora de nos recolhermos, Paulo ainda tentou nos convencer a mudar de idéia, dizendo que deveríamos dormir na sala da casa. Fomos para o salão de jogos assim mesmo.

Na hora de dormir, fui ao banheiro que ficava ao lado do quarto. Ouvi então Cláudia dar um grito de pavor. Corri para o quarto e ela apontava para a janela enquanto tremia de medo. “Tinha uma mulher do lado de fora. Ela estava olhando pra mim pela janela e falando alguma coisa. Mas agora não está mais lá!”. Fui olhar do lado de fora da casa, cheguei a dar uma volta completa ao redor, só que não vi ninguém. Fui então falar com Paulo, para saber que mulher era aquela. Ele ficou desconcertado, e disse que deveria ser a mulher do caseiro. Achei estranho a mulher estar àquela hora da noite acordada, e ainda mais nos olhando pela janela.

Na manhã seguinte, eu e minha namorada fomos dar uma volta pela fazenda. Miguel estava andando a cavalo, quando ele veio em nossa direção. Ao se aproximar, seu cavalo – que trotava calmamente – passou a relinchar, ameaçando empinar. Mas Miguel sabia montar bem e controlou o animal. Ele estava com uma cara de espanto. Perguntou: “Quem é aquela mulher que estava andando com vocês?” Respondi que não havia nenhuma mulher loira, estávamos só eu e Cláudia. Ele insistiu, afirmando que havia visto de longe a gente andando ao lado de uma mulher loira de vestido azul. Na hora, Cláudia me abraçou assustada. Disse: “Deve ser a mulher que eu vi ontem!”.

Novamente falamos da mulher para Paulo, mas o mesmo desconversou. Fiquei achando que ele sabia mais do que havia nos dito. O restante do dia transcorreu calmo. À noite, fizemos fondue e depois fomos jogar sinuca. Rodrigo, um outro amigo que lá estava hospedado, sentiu um puxão no taco no momento em que ia jogar. Olhou pra trás e disse: “Vocês viram? Alguém segurou o meu taco por trás!” Rimos na hora, mas pude perceber que todos estávamos nervosos. Decidimos ir dormir. Eu e Cláudia seguimos para o nosso quarto no salão de jogos e Miguel e Alice fizeram o mesmo, enquanto os demais foram param a casa. Quando já estava deitado, ouvi o barulho das bolas de sinuca batendo umas nas outras. Perguntei: “Miguel, você voltou a jogar?”. O barulho parou. Corri para a mesa, e não havia ninguém por perto. Mas uma bola ainda estava girando. Eu e Cláudia quase não dormimos naquela noite.

Na manhã seguinte, fui falar com Paulo. Contei a ele o caso das bolas de sinuca. Ele não demonstrou surpresa. Então pediu para nos reunirmos porque gostaria de falar algo importante. “Gente, desculpe não ter falado a vocês antes. Eu e meus pais já moramos nesta fazenda por alguns meses, logo que meu pai a comprou. Mas diariamente eu via a alma de uma mulher. Ela era loira e usava um vestido azul. Ficava tentando falar conosco com um jeito desesperado, como se estivesse pedindo ajuda. Por isto que nos mudamos para Recife, não aguentamos mais ficar vendo esta mulher”.

Depois do que ele falou, achamos melhor ir embora para o Recife imediatamente. E nunca mais fizemos nenhum passeio para aquela fazenda.

Contado por um leitor que não quer se identificar

  • E aí? E o desfecho do conto?