A Mulher da Travessa do Tavares

Este caso verdadeiro se passou na Travessa do Tavares, no bairro de São José,  Centro do Recife – uma rua sem saída próxima à sede do Galo da Madrugada. A testemunha (ou vítima) foi um leiteiro. Toda madrugada ele entregava leite nas casas, bem à moda antiga. O rapaz era conhecido e muito querido por todos na vizinhança. Certa vez ele foi encontrado desmaiado pela manhã, no meio da rua. Depois que conseguiram fazer o leiteiro retomar a consciência, o sujeito contou o porque ele estava duro e estatalado no chão.

Disse caminhava pela travessa, como sempre fazia. Mas naquela madrugada o lugar estava ainda mais silencioso e até um pouco frio. Foi até o fim da ruela, entregando os leites e voltou. Quando chegou ao meio do caminho, observou uma mulher de vestido longo e branco, com cabelos negros cobrindo-lhe o rosto, em pé justamente por onde ele deveria passar.

Achou estranho, parou por um segundo e, mesmo assim, continuou o percurso. Ao chegar numa distância de menos de poucos metros, sentiu ainda mais frio e teve até vontade de dar meia volta. Mas por que recuar? Era só uma moça, quem sabe estivesse pedida, passando mal, sabia-se lá.

Ao se aproximar da mulher, deu um bom dia e perguntou se estava tudo bem. Ela permaneceu calada e ele abaixou pra ver seu rosto. Enxergou um rosto muito pálido, de olhos tristonhos e fundos. O leiteiro sentiu um frio na espinha, tentou correr, mas estava paralisado! O medo foi tão grande que apagou vendo aquela face macabra o encarando com um sorriso medonho.

Por causa desse episódio, no dia seguinte os moradores da rua pediram para um padre benzer a travessa. Dizem que aquele foi apenas um dos constantes acontecimentos  sobrenaturais por ali. Não se sabe se, depois da benção, a mulher soturna deixou de aparecer. Já o homem do leite nunca mais apareceu.

Contado por Júnior Vailto