A Noiva do Mosquiteiro

Às vezes, um autor inventa uma lenda para explicar sua criação. Foi assim com o artista plástico André Soares Monteiro, que nos enviou estas belas imagens junto com uma curiosa narrativa.

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Um dia uma jovem menina catadora de materiais recicláveis, que vivia no lixão, pensou em se casar. Ela catava tudo que encontrava pela frente, como revista, papelão, garrafa pet, vidro e colchão. A única coisa que ela não conseguia encontrar era um noivo (ou um príncipe do lixo). Foi passando o tempo e ela mudava de lixão em lixão à procura do seu amado. Numa certa noite fria, a menina achou um vidro de perfume com um líquido pela metade. Tinha um aroma suave e encantador – quando usado em pequena quantidade causava sonolência e fazia sonhar com o amor. A jovem foi tomar banho no rio e, quando voltou, passou um pouquinho do perfume, pegou um colchão velho e se deitou. Olhando uma estrela cadente, desejou cair no braços de uma paixão.

Então o “Nopixo” – O Noivo príncipe do lixo – surgiu do lado dela. E com capricho segurava uma flor. Foi amor à primeira vista e o sonho se concretizou. Ele a pediu em casamento. Ela logo aceitou e e juntou as sobras de comida para a festa, que seria na noite seguinte. Mas não tinha dinheiro para comprar o vestido. Num baú no qual guardava suas tralhas  encontrou um mosqueteiro bem velhinho – fora a primeira coisa que, quando criança, ela catou. Vestiu-se com o mosqueteiro – que parecia o véu de um manto sagrado – e tomou banho com todo o resto do perfume.

Pegou a máquina fotográfica descartada por uma senhora e pediu para um amigo artista bater uma foto dela vestida de noiva. A máquina não funcionou e ela ficou muito triste. Mas artista era um  “Catamisto”, que catava e misturava lixo e transformava em arte humanitária. Veio a ideia de pegar uma revista usada com uma imagem da foto de um mosqueteiro, pincéis velhos e resto de tinta. Ele pintou o retrato da linda jovem com o título: A Noiqueteiro – A Noiva do mosqueteiro. E ela era só alegria.

 

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Na noite do casamento, o noivo tomou o seu lugar no altar à espera da noiva. Mas algo estranho estava acontecendo: a Noiqueteiro ficou sonolenta e decidiu deitar para descansar um pouco até a hora do casório. Acabou caindo num sono profundo e não apareceu na cerimônia. O Nopixo morreu no altar de tanto sofrimento. E ela desencarnou por conta do líquido altamente tóxico que, na verdade, não era perfume….

Reza a lenda que A Noiqueteiro  vai ficar vagando  em busca do seu Nopixo enquanto houver lixo na terra.
Pintor Catamisto André Soares Monteiro: assim se chama o artista plástico Brasileiro, nascido em Recife no ano de 1967 que une em seu trabalho sustentabilidade e arte de forma lúdica, colorida e de grande relevância social. André é autodidata e o idealizador do Catamisto – Catar e Misturar o lixo e transformar em arte humanitária,