A Porta dos Fundos

O que irei relatar ocorreu há uns 15 anos, quando morava numa cidade do interior. Todas as noites costumava passar algumas horas no pátio de casa para olhar as estrelas. Em uma noite destas, por volta das nove horas, estava com a minha mãe e senti uma estranha presença no local que me causou um arrepio.

O pátio de minha casa ficava junto com o de nossa vizinha, separado apenas por uma baixa cerca de tela. Os terrenos tinham o mesmo tamanho: cerca de 45 metros de comprimento por 40 metros de largura. Havia apenas uma lâmpada que ficava no canto da parede. Naquela noite, foco iluminava onde eu e minha mãe estávamos. E o restante do local ficava em total escuridão. Eu tinha em mãos um flash de câmera fotográfica e resolvi acioná-lo na direção do fundo do terreno. Quando fiz isso a sensação que sentia se intensificou. É como se ouvisse alguém dizer: “Saia imediatamente daí!”

Peguei minha mãe pelo braço e disse a ela que deveríamos entrar em casa o mais rápido possível. Tão logo chegamos ao quarto, algo começou a se chocar violentamente conta a porta dos fundos! Voltamos para ver o que era e vimos a porta ser golpeada por algo furioso que “guinchava” como algo que nunca havia ouvido antes.

Não conseguíamos ver o que era, pois a luz do pátio estava apagada e não nos animávamos a chegar perto para espiar. Só para esclarecer: havia uma grade de ferro na frente da porta dos fundos. Acho que se não houvesse esta grade, aquela “coisa”  – seja lá o que fosse – teria entrado.

Sai pela porta da frente, pulei o muro e fui para a casa de meu tio que morava ali perto. Ele veio junto com um vigia ver o que se passava. Mas tudo ficou estranhamente quieto, não se ouvia mais nada. Após vasculharem o local, também nada foi encontrado.

No dia seguinte, notamos que havia arranhões na madeira da porta! Após aquela noite, nos recolhíamos assim que escurecia. A sensação de que algo ainda espreitava na escuridão durou por mais quatro noites até começar a desaparecer, mas somente depois de um mês que tomei coragem em sair a pé à noite.

Contado por Alexandre Brugnera

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