A Velhinha do Cemitério

Após a morte do meu avô, todos os domingos íamos à missa no cemitério de Santo Amaro, no Recife. Depois da cerimônia, íamos à sepultura de meu avô para que minha tia limpasse tudo e pusesse novas velas.

Ao lado da sepultura de vovô, sempre estavam duas senhoras também cuidando do lugar onde algum parente delas estava enterrado. Meu pai costumava conversar com uma das senhoras, enquanto a outra fazia o serviço. A minha lembrança dessa mulher é vaga, pois tinha uns sete ou oito anos naquela época. Mas a velhota sempre me cumprimentava e passava a mão na minha cabeça, enquanto conversava com meu pai.

Certo domingo, essa tal mulher não estava no cemitério. Meu pai prontamente se dirigiu à outra senhora e perguntou pela amiga. Então a mulher falou assustada:

– Não tem outra pessoa: há mais de dez anos que venho por flores e limpar o túmulo de minha irmã!

E mostrou-lhe a foto da finada. Meu pai identificou logo o rosto daquela simpática senhora que sempre conversava com ele…

Contado por Júlio Melo