Medonhas “Boas Maneiras” do Horror-BR

Filme usa o imaginário popular para mostrar contradições da sociedade brasileira 

Por Geraldo de Fraga, do site Toca o Terror

Filme de terror com crítica social não é novidade nas carreiras dos diretores Juliana Rojas e Marco Dutra. Juntos, eles já haviam realizado Trabalhar Cansa (2011), que como o próprio título indica, aborda, de várias formas e com toques fantásticos, o mercado de trabalho brasileiro.

A nova parceria também vem carregada de discursos. As Boas Maneiras (2018) estreou nos cinemas do país, após circular em vários festivais de gênero e colecionar 21 prêmios. Se você já viu o trailer, deve saber que se trata de uma história de lobisomem, mas não espere nada muito convencional. O filme começa nos apresentando Clara (Isabél Zuaa). Em péssima situação financeira, a vida da protagonista parece estar dando uma virada quando ela é contratada pela rica Ana (Marjorie Estiano), que está grávida e precisa de uma babá/cozinheira/faxineira para lhe auxiliar enquanto enfrenta uma gestação sem o apoio de ninguém da família.

Só que além das manias de menina rica, Ana esconde um segredo muito peculiar sobre como se deu a sua gravidez e que espécie de bebê tem na barriga. Sob a ótica de Clara, o espectador acompanha a transformação da futura mãe e já as primeiras alegorias sobre certos comportamentos da ‘Classe A’ brasileira.

O longa reserva algumas reviravoltas, sempre mesclando os elementos fantásticos com situações cotidianas para tecer um roteiro dúbio, mas que faz todo o sentido dentro da nossa realidade. Dá até para prever a enxurrada de críticas dos fãs de horror comercial, nem tanto pelo direcionamento ideológico, mas sim pela falta de clichês ou jumpscares.

As Boas Maneiras vai dividir opiniões, como qualquer obra que procura fugir do usual. Mas se você está disposto a desviar do óbvio, separe uma grana e uma horinha na sua agenda para um dos melhores filmes brasileiros do ano.

Resenha originalmente publicada no site Toca o Terror