Assombrações de Olinda

Como toda cidade com casarões, antigas igrejas e um passado de lutas, revoltas e invasões, Olinda tem seus fantasmas.

Olinda_Antiga

Olinda tornou-se oficialmente uma vila no ano de 1537 e virou a capital da capitania de Pernambuco nas primeiras décadas da colonização portuguesa. Em 1631 foi incendiada pelo invasores holandeses. Desde então perdeu para o Recife o posto de capital do estado. Mas teve a  sua importância reconhecida quando ganhou o título Cidade Patrimônio da Humanidade, em 1982. E, no chamado “sítio histórico”, Olinda guarda também um “patrimônio sobrenatural”. São fantasmas de frades que arrastam suas sandálias de couro pelo piso dos antigos sobrados, mosteiros, ou mesmo pelas seculares ruas em horas mortas; igrejas que se iluminam por pouco tempo, como que relembrando antigos dias de festa; sinos que tocam sozinhos, celebrando datas esquecidas; e o fragor de lutas, rumor de sabres, ruídos de tiros, gritos, gemidos em noites de chuva, evocando as batalhas contra os flamengos.

Na vetusta cidade alta, os espíritos se manifestam em igrejas e ruínas como no Alto do Carmo. Diz-se que nas catacumbas da antiga igreja de N.S. do Carmo morava um eremita, o Monge do Carmo. Existem registros fidedignos sobre sua existência, e fala-se que seria de família rica, mas teria se retirado da sociedade por conta de um grande desgosto. Segundo relato de um sábio inglês do começo do século XIX, George Gardner, o eremita fora oficial do exército que abandonara tudo por causa de um crime que cometera na mocidade.

Vivia entre as ruínas tendo como companhia insetos , pequenos animais e as caveiras de antigos religiosos. Até hoje temos relatos de pessoas que o vêem altas horas da noite vagando pelo monte do Carmo e ouvem sua “voz agoniada pedindo missa” como nos conta o escritor Gilberto Freyre, em Guia Prático, Histórico e sentimental da Cidade de Olinda.

olinda

Uma característica curiosa da cidade são os subterrâneos que fazem ligações entre conventos. Temos, por exemplo, o que liga a Igreja de São Francisco à rua do Bonsucesso, passando pelo Seminário. Outro começa na Igreja de Santo Amaro do Fragoso e termina na Igreja do Monte, e o que liga a Igreja do Carmo ao Mosteiro de São Bento, passando por baixo do cemitério da igreja. São subterrâneos e passagens hoje obstruídos ou convenientemente omitidos dos relatos e dos passeios turísticos.

Alguns falam que seria trabalho dos holandeses: o mais certo é que tenham sido feitos pelos jesuítas, que lá esconderam tesouros da Igreja e de nobres portugueses. Muitos desses tesouros estariam guardados por fantasmas ou por “cobras encantadas, que às vezes surgem à boca dos subterrâneos dos conventos, os olhos faiscando como se fossem tições enormes”, segundo Gilberto Freyre: “Os mortos esquecidos é que parece que não se esquecem as igrejas e as casas velhas de Olinda, os sobrados antigos, as ruínas. Daí história de mal-assombrados.

E conclui o Mestre de Apipucos: “mesmo que não haja mal-assombrado nenhum, e seja tudo história, a crença nos fantasmas é uma maneira dos mortos se fazerem lembrados pela gente do mundo”.

Agora veja o a história que recebemos do leitor Anderson Rocha:

Eu, minha ex-namorada e minha ex-cunhada resolvemos passear no Alto da Sé, em Olinda, numa noite do meio da semana. Estávamos de férias e queríamos nos divertir um pouco, embora o tempo estivesse um pouco chuvoso. Deixamos o carro em frente ao Clube Atlântico e caminhamos pela rua Prudente de Morais. Seguimos pelos Quatro Cantos e chegarmos ao final da rua, onde há uma escola de música. Dobramos à direita e passamos em frente ao famoso “Pau-do-índio”. Os minutos se arrastavam com a conversa animada e a falta de compromisso. Sem pressa, finalmente chegamos ao Alto da Sé.

A chuva, que até então era só chuvisco, começou a engrossar e passou disso para um temporal raro de se ver no Recife ou em Olinda. Muito trovão e relâmpago, além de um vento que não nos deixou muita alternativa senão tentar nos espremermos sob uma das marquises da igreja que existe no topo da Ladeira da Misericórdia.

Passado algum tempo, tivemos certeza que a idéia de ir para o Alto da Sé naquela noite tinha sido absolutamente equivocada. Molhados feito pintos, resolvemos nos recolher à nossa insignificância diante daquele fenômeno da natureza e partirmos para a volta. Como o carro estava parado na frente do Clube Atlântico, resolvemos descer pelo lado oposto pelo qual havíamos subido. Então nos dirigimos à Ladeira de São Francisco, mesmo com o céu desabando. Estamos completamente ensopados e apressados, pois não havia absolutamente ninguém nas ruas.

Bem, foi ai que, ao olharmos para frente – a cerca de uns 50 metros à nossa direita – vimos uma freira vestida de preto, com um guarda chuvas, parada na calçada em frente a um dos antigos casarões da ladeira. Não podíamos acreditar naquela cena surreal. Que diabos aquela freira estava fazendo sozinha, segurando um guarda-chuvas no meio da ladeira, numa noite daquelas?

Imaginamos que ela deveria estar pensando o mesmo de nós e, para a nossa surpresa, ao passarmos ela nem sequer nos olhou, continuando de costas. No exato momento que passamos por aquela figura, eu disse para a minha ex-cunhada:

– Não olha pra trás que essa freira sumiu!

Eu estava tentando bancar o engraçado. Porém, minha cunhada se virou de sopetão e exclamou:

– Sumiu!!!! Ela sumiu!!!!

Quando nos viramos para trás e não vimos a freira, “desabalamos” numa carreira que só terminou dentro do meu querido fusca, na frente do Clube Atlântico. Detalhe: apesar de ter passado na frente do Pau-do-índio, naquela noite eu não havia bebido nada!

Você conhece alguma histórias assombrada sobre a Cidade Alta de Olinda? Então conte pra gente: orecifeassombrado@gmail.com

Outros lugares assombrados:

Cruz do Patrão

Poço da Panela

 

  • Alexis Morell Carrington Colby

    Passei por uma situação parecida quando fui ver o homem da meia noite.