Lendas de Fernando de Noronha

O arquipélago de Fernando de Noronha é um território administrado pelo Governo de  Pernambuco e está localizado a 545 quilômetros do Recife, no Oceano Atlântico. É formado por vinte e uma ilhas, ilhotas e rochedos. A ilha principal, que tem 17 quilômetros quadrados, é habitada por seres humanos e também por fantasmas e outras criaturas sobrenaturais. Um lugar cheio de mistérios que já foi capitania hereditária, abrigou um presídio, serviu de base militar e hoje é um refúgio ecológico que atraí turista de todo o mundo.

A lenda mais conhecida entre os ilhéus fala da Alamoa: uma mulher belíssima que leva os homens desavisados à morte.Segundo a escritora Marieta Borges no seu livro “Fernando de Noronha: Lendas e Fatos Pitorescos”, a assombração surgia “loura e nua, com a fosforescência e a maldade nos olhos (…) como a encarnação do desejo sexual”, e fascinava os homens, levando-os para o Morro do Pico – o ponto mais alto da ilha. “E quando a vítima, fremente, ia abraçá-la, a linda e sedutora mulher se transformava em um esqueleto de órbitas faiscantes, apavorando os jovens que se atiravam no oceano ou se despedaçavam nos arrecifes”, conta a escritora.

O mito pode ter origem no período em que os holandeses dominaram o arquipélago no século XVII, já que a palavra “Alamoa” é a corruptela de “alemã”. Ela seria a soberana de um reino encantado que existiu em Fernando de Noronha antes da chegada dos navegadores europeus. Atualmente, a Alamoa é chamada pelos moradores de “Mulher de Branco”, uma aparição que, à noite, pede carona aos motoristas dos poucos carros que circulam na ilha.

Outra assombração feminina de Fernando de Noronha é a “Cigana”, que costuma assustar quem passa à noite por perto de um dos cajueiros da ilha. Conforme Marieta Borges, perto dele estaria “enterrado um caixão de ferro e cobre, com um rico tesouro deixado pelos holandeses”. A dinheirama é guardada pelo “vulto moreno de rara beleza” da Cigana. E no lugar também aparecem outras visagens: “um general montado a cavalo, de gibão, chapéu e armado de espada; um ordenança, de lança e couraça; e um padre, com seu solidéu.”

Monstro

Nas belas praias de Fernando de Noronha também ocorrem coisas estranhas. Na praia do Sueste, onde são ouvidos gemidos apavorantes, mora um verdadeiro monstro marinho. À noite, a criatura emerge da água e fica parada como se fosse uma ilhota. Ela surpreendeu muitos pescadores inexperientes que, sem saber, subiram nas costas do bicho e foram levados para alto mar.

Já num lugar chamado de “Pesqueiro da Sapata”, às vezes aparece à noite um homem de estatura gigante usando um chapéu preto que lhe esconde o rosto. Ele joga o anzol no mar, fisga com facilidade vários peixes grandes e vai embora. Os outros pescadores que estiverem lá não conseguem apanhar mais nada até nascer o dia. E não adianta tentar seguir o “Gingante da Meia-Noite” que ele desaparece de repente.

Há ainda a lenda da Cacimba do Padre. No século XIX, o capelão do presídio de Fernando de Noronha, padre Francisco Adelino de Brito Dantas descobriu a fonte da melhor água potável da ilha. A fonte foi usada durante muitos anos e depois esquecida entre as ruídas da suposta da casa onde teria vivido o religioso, próxima a uma praia de areias brancas.

Conta-nos Marieta Borges que , “à noite, o reverendo aparece no lugar, montado numa mula-branca como a neve, chegando até a beira da cacimba, como a vigiá-la. Na tradição popular, quem bebe a sua água jamais esquece Noronha e volta, um dia, à ilha”, arremata a escritora.

Contado por Roberto Beltrão