Mulher Sinistra do Pátio de São Pedro

Um dos mais conhecidos pontos do turísticos do Centro do Recife guarda um trágico mistério.

Foto: Fábio Rafael

O cenário é dos centenários prédios do Pátio de São Pedro, no tradicional Bairro de São José. Dizem que num dos sobrados de quatro andares existentes na lateral da Igreja de São Pedro (a construção do século XVIII que dá nome ao lugar), reside uma figura que provoca calafrios nos que a encontram.

Trata-se uma mulher jovem e bonita, de longos cabelos negros e  com um vestido escuro provocante – embora seja um traje bastante fora de moda. É vista a caminhar lentamente pelos corredores e, principalmente, pelas escadarias do antigo edifício. Tem no rosto uma expressão de pesar, como quem padece de um eterno luto. Os que se deparam com ela logo percebem que é uma visagem, um espírito desencarnado: depois de alguns passos, a moça misteriosa desaparece no ar, como por encanto.

Foto: Fábio Rafael

No sobrado, uns poucos cômodos são moradias. Na maioria das dependências, trabalham costureiras e prestadores serviços, como pintores de placas. Muitas dessas pessoas já testemunharam a aparição. Uma decoradora que trabalhou no lugar, por exemplo, relata que ouviu falar sobre a origem da fantasmagoria. Seria o espetro de uma mulher que alugou um dos quartos  em meados da década de 1950.

Era bela sim, mas vivia só e carregava a dor de uma desilusão: havia sido abandonada pelo amante. Comenta-se que, para sobreviver, trabalhava como prostituta. Certo dia matou-se ateando fogo ao corpo. Morte lenta e dramática de quem tenta queimar a dor de uma constante amargura. E desde então virou malassombro, alma-penada, eternamente presa a este plano de existência por causa do terrível pecado que cometeu.

As pessoas que convivem no sobrado já tentaram por fim ao sofrimento desse espírito encomendado missas e requisitando bênçãos dos padres no próprio edifício. Logo depois dessas medidas as aparições deixam de ocorrer, mas não por muito tempo – não demora e alguém se depara novamente com a sinistra mulher a caminhar pelos corredores.

Contado por Roberto Beltrão / Fotos: Fábio Rafael

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