Ataque da Perna Cabeluda

A Perna Cabeluda

Em meados da década de 1970, José Nivaldo era um garoto de seus quinze anos, mas já dava duro trabalhado com entregador de pão para ajudar a família: a mãe viúva e mais seis irmãos menores. De segunda a sábado acorda bem antes do sol nascer para cumprir a sua obrigação. Chegava à pararia do bairro de Beberibe, na zona norte do Recife,e de lá partia em uma bicicleta com um cesto carregado de dezenas de pães quentinhos para serem deixados nas portas dos clientes

Na madrugada daquela segunda-feira, ele cumpriu o mesmo roteiro. Só que foi para o trabalho com mais sono que o habitual: tinha dormido mal por causa de uns pesadelos horríveis dos quais não conseguia lembrar-se. Juntando toda a coragem possível, partiu com a bicicleta às 4h30 para fazer as entregas. Nas ruas ainda escuras teve a estranha sensação não estar sozinho. Era como se uma presença maligna o seguisse, disfarçada nas sombras. Com medo, José Nivaldo tentou apressar o trabalho. Mas a quinta casa da lista ficava numa rua sem calçamento, cheia de buracos e onde a iluminação era precária.

Neste ponto da jornada, sentiu que o vulto estava se aproximando. Suando frio, acelerou as pedaladas mas foi detido por imensa cratera no meio da viela. Caíram o rapaz , a bicicleta e os pães, que ficaram espalhados por todo lado. E antes que Zé Nivaldo conseguisse se levantar, foi atingido por um forte chute. Aliás, vários. Os golpes acertavam todas as partes do corpo e só um milagre permitiu que Zé Nivaldo tivesse forças para fugir em desespero.

Chegou em casa todo machucado e chorando. A mãe logo julgou que o garoto tinha sido atacado por um bando de marginais e, sem perguntar nada, o levou para o Hospital da Restauração onde iria ser medicado e poderia prestar queixa no posto policial. Ao chegar ao setor de emergência, Zé Nivaldo foi logo abordado por um repórter de rádio a quem contou toda a história. E logo o jornalista entrou ao vivo do local dando a notícia: “E atenção! Rapaz de quinze anos é violentamente espancando pela Perna Cabeluda em Beberibe…”

Contado por Ione Barro

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