Fantasma Menino?

Estes fatos se deram na década de 80, quando eu era estudante do ensino fundamental, naquela época chamado de Primário, num colégio perto de casa. Morava no bairro de Jardim Alântico, em Olinda, numa vila com acesso por estrada de terra – lamacenta nos dias de chuva e empoeirada nos dias de sol. Na margem desse caminho, havia uma barreira alta e era recomendação geral que as pessoas não deveriam ir para lá por causa do risco de deslizamentos.

Claro que a recomendação só atiçava ainda mais a curiosidade, principalmente de crianças afoitas que brincavam de escorregar na barreira. Havia no meu colégio um menino chamado T, lourinho, de olhos claros. T era peralta, daqueles que não paravam quietos. Numa tarde, T estava brincando na barreira quando houve um deslizamento repentino e ele, infelizmente, morreu soterrado.

Todos ficaram muito tristes no colégio. Aquele foi o meu primeiro contato com a morte de alguém conhecido. Durante algum tempo, eu sentia medo de acordar à noite, na escuridão, me deparar com um menino loiro, sujo de barro e que agora ficava sentado, quietinho, num canto da sala de casa.

Não sei como acontecia mas, às vezes minha mãe reclamava comigo: “Ô menino, como você consegue trazer tanto barro pra essa sala? Bata os pés e limpe as sandálias no pano de chão que aqui não tem empregada não!” Mas eu nem tinha saído pra lugar nenhum! Suspeito que aquele barro era do meu “colega”… o visitante noturno!

Relato do leitor Adriano Mendonça