Fantasmas no Forte

Forte das Cinco Pontas

Uma das fortalezas mais imponentes da capital pernambucana, dona de uma exuberante arquitetura e ponto central de um dos principais cartões postais da cidade, o Forte de São Tiago das Cinco Pontas é um dos legados do período colonial brasileiro que ainda se encontra de pé e em bom estado de conservação. É atualmente o Museu da Cidade do Recife. Mas suas muralhas grossas abrigam muito mais do que apenas peças de valor históricos. Quem passeia pelos corredores ou atravessa o pátio à noite pode ouvir murmúrios fantasmagóricos e testemunhar aparições vaporosas.

Construído durante o domínio holandês em Pernambuco, no ano de 1630, por ordem de Frederik Hendrik, o Príncipe de Orange, o Forte levou o nome do próprio, durante um tempo. Seu projeto de construção foi atribuído ao engenheiro Tobias Commersteijn, que desenvolveu a fortaleza com uma estrutura composta de madeira, terra batida e barro. Ainda no período flamengo, o Forte Frederik Hendrik ganhou o apelido de Forte das Cinco Pontas, devido a sua forma pentagonal.

Em 1654, após a expulsão dos holandeses, o Forte passou para o domínio português, iniciando uma grande reforma na estrutura da fortaleza, a mando de João Fernandes Vieira, que foi reconstruída em pedra e cal. Com as obras finalizadas em 1684, o local, que passou a contar com apenas quatro baluartes, foi rebatizado de Forte de São Tiago das Cinco Pontas, devido à popularidade do nome.

Pátio do Fortes Cinco Pontas

A fama de mal-assombrado, atribuída ao Forte das Cinco Pontas, pode estar relacionada ao fato de o local ter servido como prisão, onde os detidos eram confinados em calabouços subterrâneos, denominados de “cemitérios vivos”. Esse tipo de cárcere desumano, que deve ter acarretado em diversas mortes de detentos, foi encerrado por ordem de Gervásio Pires Ferreira, que dirigia a Junta do Governo Provisório de Pernambuco.

Um espaço curioso da velha construção é o túnel subterrâneo que servia tanto para fuga de soldados, em casos de invasão, quanto para a passagem de prisioneiros para a execução, na parte externa do forte. Tal corredor, existente até os dias de hoje, guarda histórias de dor, sofrimento e morte, já que, provavelmente, Frei Caneca, um dos célebres líderes da Confederação do Equador, teve que atravessá-la para encontrar seu infeliz destino no lado de fora da fortaleza.

O muro contra o qual o religioso foi arcabuzado, em 1825, ainda se encontra de pé e há quem diga que sua alma ainda vaga por lá. Alguns transeuntes alegam ter medo ao passar por lá durante a noite, já que vultos e vozes são avistados e escutados. Há também um certo receio de andar por aquelas redondezas devido ao alto número de assaltos registrados no bairro de São José. Nesse caso, é mais prudente ter medo dos vivos do que dos mortos.

Entre os séculos XVIII e XIX, a fortaleza servia como protetor de investidas inimigas. Por isso, muitos transeuntes que circulam pelas imediações da estrutura, durante a noite, relatam aparecimentos de figuras esperais vestidas como soldados. Relatos também afirmam ser possível escutar sons de batalhas, como gritos de ordem e tiros de canhão.

Canhões do Forte da Cinco Pontas

Segundo investigações feitas por estudiosos do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas (IPPP), muitas ocorrências paranormais foram registradas no Forte em anos recentes. Em 2004, por exemplo, seis estagiárias estavam no primeiro andar onde fica a exposição permanente do museu. O grupo resolveu deixar o ambiente em direção do térreo. Cinco desceram as escada e uma ficou. Quarenta minutos depois, ela foi chamada para se juntar às colegas e contou que não havia descido porque estava aguardando descer a última pessoa a visitar a mostra: “uma senhora de idade avançada, vestida de branco”. Os guardas foram chamados e contataram que não havia mais ninguém no local e que a portas estavam trancadas.

Aliás, um antigo funcionário do Forte conhecido como Bacalhau (já falecido) teve várias experiências sobrenaturais que costumava relatar ao companheiros de serviço – os mais comuns eram o surgimentos de vultos. Já os vigias noturnos contavam ouvir vozes, barulhos, sons de portas se abrindo e se fechando, passos – sempre em ambientes onde não havia nenhuma pessoa. Há quem diga que passar tarde da noite no Forte das Cinco Pontas é um verdadeiro pesadelo. E você, teria coragem?

“Túnel de fuga”

UMA NOITE NO MUSEU

Pois pesquisadores do IPPP tiveram permissão da direção do Museu passar uma noite no local fazendo medições e registros. Ficaram lá das 20h às 5h, na noite de 8 para 9 de outubro de 2016. Fizeram rodas, usaram equipamentos para medir temperatura e campo magnético, câmeras de fotografia e filmadoras, microfones de alta sensibilidade. E os resultados foram impressionantes.

Alguns chegaram a ver vultos e a notar oscilações estranha nos aparelhos. Uma foto captou o exato momento no qual um estranho graveto se levantou do chão e ficou suspenso no ar por alguns segundos no local chamada túnel de fuga. E neste mesmo túnel foram gravadas vozes paranormais (que não foram ouvidas pelos pesquisadores no local, apenas registradas em gravações escutadas posteriormente).

Entre as doze vozes capitadas, duas se destacam pela clareza das palavra pronunciadas. Uma voz masculina e sofrida fala “Ai, minhas costas…”.  E outra voz mais aguda e desesperada grita: “Me largue!”.

No final da investigação, os pesquisadores concluíram que “o túnel de fuga acumulou a maior quantidade de evidências diretas e indiretas de atividade supostamente paranormal”. E sugeriram à direção do Museu que permita novas investigações no futuro. Mas essas novas pesquisas sobrenaturais no Forte da Cinco Pontas ainda não aconteceram.

Contado por Lucas Rigaud (texto e fotos)