Fantasmas Sobre Duas Rodas

Não pense que quem anda despreocupadamente numa bicicleta – exercício favorável à saúde do corpo num transporte que não polui o meio ambiente  – está livre de encontro com o sobrenatural. Na Ilha de Itamaracá, no Litoral Norte de Pernambuco, os moradores contam a história de uma assombração que costuma pegar carona nas “bikes”.

Dizem isso acontece na estrada que leva ao Forte Orange – antiga construção do tempo dos holandeses. Quando o ciclista passa por um determinado ponto da pista, avista uma mulher jovem que faz sinal e pede uma carona. Os incautos param, deixam a moça sentar-se no bagageiro da bicicleta e seguem viagem. A caroneira tem sempre uma expressão preocupada no rosto e nada fala. Metros à frente, o ciclista sente a bicicleta ficar mais leve de repente, olham para traz e percebe que a mulher sumiu no ar!

As pessoas da região têm algumas explicações para o comportamento desse fantasma. Uns dizem que ela seria a esposa de um homem assassinado em frente a um restaurante das imediações. Quando a mulher soube da tragédia, conseguiu uma carona numa bicicleta para chegar ao local. Encontrou o marido morto e começou a chorar. Nesta hora, assassino voltou ao lugar do crime e, como devia ser muito perverso, sacou a arma de novo e também matou a coitada.

Outros contam que a caroneira espectral quando viva seria uma moça prestes a se casar, uma noiva feliz à espera de dia subir ao altar. Todavia, antes de concretizar o sonho, ela teria sido atropelada por um caminhão justamente na estrada do Forte. O noivo, é claro, ficou triste com o ocorrido, mas não demorou muito para arranjar outra noiva e casar-se. Por isso, o fantasma da noiva morta permanece à procura de outro pretendente, e para isso costuma pedir a ajuda dos rapazes que gostam de pedalar.

Já no bairro da Várzea, no Recife, também existem relatos sobre uma assombração que pega “bigu” (palavra que significa carona em “pernambuquês”) em  bicicletas. Esse fantasma, no entanto, não é visto nem ouvido. Às vezes, quando um ciclista (ou motociclista!) passa em frente ao antigo cemitério do bairro, sente apenas que alguém sentou na parte de atrás do veículo embora não consigam enxergar quem forçou a carona. Muitos tomam o susto, perdem o controle e se arrebentam no asfalto.

Contado por Roberto Beltrão