Guia do Santo Amaro

Conheça as curiosidades sobre o mais tradicional cemitério do Recife:

O nome “Cemitério de Santo Amaro” consagrou-se no imaginário recifense por causa da localidade onde foi construído em 1851: Santo Amaro das Salinas – lugar que depois viria a ser um dos bairros mais populares da cidade. Na verdade, o nome oficial dele é “Cemitério Senhor Bom Jesus da Redenção”.

O Santo Amaro é o mais tradicional e mais frequentado cemitério da capital pernambucano, mas o não é o mais antigo. O primeiro a ser aberto no Recife foi o Cemitério dos Ingleses. Em 1813, o embaixador inglês no Brasil reclamou à Corte do Rio de Janeiro que os súditos britânicos da religião protestante falecidos em Pernambuco só eram enterrados nas praias. Isso porque, não sendo católicos, os ingleses não poderiam ser sepultados nas igrejas ou no terreno em torno delas. Em 1814, foi desapropriado um terreno próximo de onde, décadas mais tarde, seria fundado o cemitério dos católicos, e a área foi entregue ao cônsul inglês. Até hoje, o Cemitério dos Ingleses é uma legítima possessão da Coroa Britânica encravada numa das regiões mais movimentadas da capital.

Foto: Fábio Rafael

Foto: Fábio Rafael

A criação do cemitério de Santo Amaro gerou muita discussão no Recife do século XIX. Isso porque o costume da aristocracia canavieira de Pernambuco era enterrar os mortos nas capelas dos engenhos ou nas igrejas – de certa forma, se acreditava que apenas por serem defuntos não deveriam ser excluídos da convivência com a família. Mas esse hábito foi contestado pelas novas crenças de um mundo que passava a ser regido pelas ciência: descobriu-se que era um perigo para a saúde pública manter cadáveres próximos dos vivos. A sociedade demorou aceitar a mudança: a ideia de criar uma necrópole pública no Recife já era discutida pelos governantes e pelo clero pernambucano em 1801. Só em 1817 o governador Luís do Rêgo Barreto solicitou um levantamento sobre o melhor lugar para um cemitério e informou que iria proibir o enterro nas  igrejas assim que o tal cemitério ficasse pronto. E o Santo Amaro só aberto 34 anos depois. No dia de abertura, apenas um meninos negro, de nome Francisco e com dois dias de nascido, foi sepultado no local. Mas, um ano depois, 2.181 finados já faziam do Santo Amaro a derradeira morada.

Foto: Fábio Rafael

Foto: Fábio Rafael

Muitos  jazigos são  decorados com esculturas no Santo Amaro. Anjos e mulheres de expressão chorosa são as mais comuns. Mas também existem bustos dos próprios moradores dos túmulos, reproduções de animais e até macabras caveiras. As esculturas de crânios humanos são “lembretes” sobre o caráter transitório da matéria em contraposição à imortalidade da alma. Já as estátuas das mulheres tristonhas são a demonstração do eterno luto pela perda daquele parente tão querido. As estátuas de anjos representam o “anjo da guarda” e, na maioria das vezes, olham ou apontam para o céu – mostrando o caminho que o finado deve seguir.

Foto: Roberto Beltrão

Foto: Roberto Beltrão

Foto: Roberto Beltrão

Foto: Roberto Beltrão

Mas o túmulo mais visitado do Santo Amaro é apenas uma espécie de mesa de mármore onde coloca vários ex-votos, desde imagens de Nossa Senhora: estátuas de duendes, bonecas de plástico, flores, casas em miniatura, pedaços de papel onde estão escritos pedidos ou agradecimentos. É o jazigo da Menina Sem Nome. A fama dessa tristonha personagem tem início em 1970, quando o corpo de uma menina de aproximadamente dez anos foi encontrado na maré do bairro do Pina. O cadáver que nunca identificado, pois ninguém se apresentou como parente da vítima. O drama compadeceu um recifense de posses que mandou fazer para ela um sepulcro digno, algo melhor que uma simples cova rasa. Ao poucos a comoção em torno da Menina Sem Nome se transformou em fé e adoração. Milagres passaram ser atribuídos a ela, e devotos começaram a frequentar o local para fazer promessas em troca de graças.

E uma fantasma famoso no Recife frequenta o cemitério: A Galega de Santo Amaro.

  • Evaldo Gomes

    Boa noite!!! Eu gostaria que vcs postagem a história de Verginia outra vez.Eu lê esta história se eu não estiver enganado foi entre. 2000&2003. Grato mais uma vez.