Livro revela a origem de Drácula

Os vampiros são eternos. E não adianta enfiar-lhes uma estaca de madeira no coração enquanto dormem em seus soturnos caixões. Sim, eles voltarão a atormentar os humanos, fontes inesgotáveis do sangue quente que alimenta esses famosos mortos-vivos. Isso se depender da literatura de horror: os vampiros sempre nos surpreendem com novas aparições em páginas impressas, independente de estarem ou não “na moda”.

O mais recente lançamento envolvendo tais personagens sinistros (e sedutores) é Dracul – A origem de um monstro, publicado no Brasil pela coleção Minotauro da Editora Planeta. Não, você não leu errado… o nome da obra remete diretamente à mais famosa novela vampiresca gótica: “Drácula”, de Bram Stoker. O livro Dracul é uma parceria de Dacre Stoker, sobrinho-neto de Bram, com o escritor americano J.D. Barker.  A história teria surgido a partir da releitura de partes censuradas do manuscrito original de “Drácula”. Por terem sido considerados sombrios demais para os leitores da época vitoriana, esses trechos não constaram da primeira edição do romance, publicada na Inglaterra de 1897.

Portanto Dracul revela (e amplia) a trama que não foi contada: o jovem Bram se tranca numa antiga torre para lutar contra uma criatura diabólica. Desesperado para relatar o que testemunhou, ele faz um apanhado dos eventos de sua vida que o levaram até ali: uma infância enferma, uma babá abusiva e as histórias de medonhas que ouvia. Os autores contam que tiveram um imenso trabalho para decifrar as anotações feitas a mão por Bram Stoker. Precisaram também reler com cuidado a obra original, bem como outros romances vitorianos, a fim de capturar a essência da época.

Para os verdadeiros fãs do horror, é um alento saber que um clássico do gênero ainda reserva fôlego para gerar frutos 121 anos depois. Embora “Drácula” não tenha sido a primeira obra de ficção protagonizada por vampiros (“The Vampyre”, de John William Polidori, por exemplo, é de 1819), foi o romance de Stoker que introduziu definitivamente, na cultura de massa, na cultura pop, o mito do “morto-vivo-bebedor-de-sangue” nascido nos frios vilarejos de países da Europa Oriental.

A forma como o irlandês Bram Stoker concebeu o misterioso fidalgo que move a narrativa – um conde abominável, mas persuasivo – gerou um paradigma que depois foi reproduzido no cinema, no teatro, nos quadrinhos e, é claro, em outros livros. E isso já é motivo suficiente para o leitor se embrenhar nas mais de 400 páginas de Dracul, pois assim vai conhecer mais sobre criador e criatura. Então, salve Drácula, vivo em muitos pesadelos por incontáveis décadas!

Roberto Beltrão

Serviço:

DraculEditora Planeta
De Dacre Stoker e J.D. Barker
Tradução: Márcia Blaques
432 páginas
R$ 63,90