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A Loirinha do Alto do Mandu

Por Luiz Alberto da Silva Júnior

Eu estudava no colégio Dom Vital, em Casa Amarela, e na volta para casa diariamente eu passava pelo Cemitério de Casa Amarela, ali do lado do Mercado do bairro. Um dia vi uma menina, loirinha, bonita, de olhos castanhos claros, com cerca de 16 anos e com jeito “sapeca” e risonho. Depois de uns três encontrões ao acaso, fui mais ousado e a convidei para ir ao cinema Albatroz (hoje templo evangélico). Ela prontamente aceitou o convite. No dia marcado, faltei aula para ir com a Edna (o nome da loira) ao cinema e, a partir deste dia passamos a nos encontrar, sempre ao lado do muro do cemitério, onde trocamos carícias juvenis, porém quentes e intensas.

Fiquei embevecido pelos encontros com a Edna e já estava apaixonado, com vontade de avançar no relacionamento, quando, de repente, ela deixou de estar no local onde nos encontrávamos rotineiramente. Desapareceu, sumiu, assim como apareceu. Sem deixar qualquer indicação de como encontrá-la. Eu apenas sabia que ela morava na subida para o Alto do Mandu, próximo ao mercadinho Alvorada (hoje não existe mais!).

Sem ter o que fazer, já se passavam duas semanas do sumiço da Edna, tratei de esquecer da minha ex-futura-paixão e dar sequência à vida. “Fazer a fila andar”, como dizem hoje.Um belo dia, eu e alguns amigos nos dirigíamos à caso de um amigo comum, que se localizava no Alto do Mandu. Durante o trajeto, procurei a tal mercearia, e encontrando-a tratei de buscar a casa que ela havia descrito.

Vi algumas casas parecidas e tomei coragem para procurar Edna, escoltado devidamente por alguns colegas do colégio. Em uma delas, pude ver uns quadros na parede e distingui um deles que era de uma pessoa muito parecida com loirinha. Tomei mais coragem e chamei por alguém na porta, sendo atendido por uma senhora, muito simpática que indagou sobre o que desejava. Eu disse, com algum receio, que gostaria de falar com Edna. A senhora franziu o cenho e reforçou minha pergunta. Disse:

- Fala com a Edna? Você tem certeza?

- Sim! É aquela ali da foto! É ela mesmo, não é?

- É ela sim, rapaz! Acontece que muitos moços aparecem aqui procurando pela Edna nos últimos três anos. Moços distintos, da sua idade mais ou menos. Alguns ficam chateados por que ela não contata com eles.

- É o meu caso, senhora. Num tô chateado, não, mas ela desapareceu de repente e eu pensei que ela estava doente ou algo assim. Tá tudo bem com ela. Onde ela está?

- Meu filho, esqueça a Edna. Vá atrás de uma outra garota, pois ela não vai poder namorar você!

Eu fiquei brabo neste momento. Não sei se pelo tom de voz da mulher ou se pela minha frustração em não ter podido corresponder ao que a Edna queria. E perguntei com ar de autoridade:

- Por que ela não vai namorar comigo? Eu ainda nem falei namoro pra ela. Por que a senhora diz isso?

- É porque não mora mais aqui. A Edna sempre faz isso com os rapazes e sempre aparece um ou outro por aqui.

- Diga logo o porque, ou chame ela para falar comigo!!!

- Não posso, meu filho. A Edna morreu há cinco anos. O que aconteceu com você foi um caso de assombração!

Eu quase caí para trás. Os colegas caíram na “gaitada” e tiraram o maior sarro comigo.
Depois, quando voltamos para o mercado a fim de tomar um suco com pastel, contamos o caso para o dono da barraca e ficamos sabendo que a história já era conhecida pelos barraqueiros e taxistas do mercado. Muitos deles gostariam de ter uma experiência com a Edna e não conseguiam. Eu fiquei sendo uma referência no pedaço, porque a Edna era muito bonita.

Bem, foi uma experiência, digamos assim: assustadoramente deliciosa! Desse dia em diante, procuro ser mais cuidadoso com as louras (e morenas também) que vejo por aí sozinhas. Principalmente se for por perto de um cemitério.