Luzes Sobre Minha Cabeça

Luzes misteriosas no céu

Por Alê Neres*

Nos anos 80, quando ainda era um moleque, escutava meu pai sempre falar de assuntos misteriosos. Espiritismo, Rosa Cruz, a imensidão do universo e Egito antigo. Até uma pirâmide de metal tinha lá em casa – de uns trinta centímetros de altura que ficava com um dos seus lados voltado para o sol nascente…. Enfim, não lembro bem.

Todos esses assuntos norteavam o meu ambiente, enquanto meu pai, entusiasmado, contava aos amigos de copo o quanto existe segredos em entre o céu e a terra, mais do quê ele mesmo poderia explicar. Entre gestos articulados para enriquecer o dialogo e goladas em cervejas, ele desenhava no ar suas teorias. Mas o que me chamava mais atenção, entre todas essas estórias, era quando ele falava de Alienígenas. Filmes que assistiu como: Contatos Imediatos do Terceiro Grau, E.T e outros. É claro que, para uma criança, aquilo fazia a imaginação voar.

Um tempo depois encontrei livros antigos e empoeirados nos guardados lá em casa. Foi quando tive o primeiro contato com “Eram os Deuses Astronautas”, de Erich Von Däniken. Fiquei encantado com a narrativa e as referências bíblicas no que o autor se propunha a apresentar. Sem falar nas imagens em preto e branco de vários lugares da América Latina e principalmente do Peru. Foi um livro que me fez questionar muito, diversas coisas, mas que infelizmente não conseguia dividir com amigos o assunto, por ser levado como algo divertido, com desconfiança e até com chacotas.

Durante a década de 90, em minha adolescência, começo a presenciar luzes no céu, e sempre no mesmo lugar, em cima uma mata atlântica na minha província e o pior, nunca tinha um amigo por perto para mostrar, muito menos celular para registrar o momento. As máquinas de fotografia, não, nem pensar.

As aparições, que no total foram três, aconteciam quando voltava de ônibus no caminho das praias no Cabo de Santo Agostinho, sobre a Mata do Zumbi. (Que, aliás, é uma área protegida por lei que vem sendo devastada por administrações irresponsáveis). As três situações se deram em fins de tarde, à luz do crepúsculo Em certos pontos, observava luzes pequenas – conforme iam se locomovendo, elas mudavam de cor, sempre duas, como se fosse uma brincadeira aérea de pega-pega, elas se invertiam suas posições uma acima da outra.

E como nunca tinha alguém para que eu apontasse as aparições, fez com eu me questionasse algumas vezes, se não eram luzes de avião. Mas, parando para analisar, as rotas dos aviões nunca vinham naquela direção ou voavam baixo e rápido daquela forma. Por algum motivo não tive mais o prazer de ver essas pequenas luzes em outras oportunidades e quando falava para alguém o assunto era tratado com desdém e falavam – são apenas aviões.

Anos depois algo anda mais surpreendente aconteceu, mas só que dessa vez estava com um amigo que acompanhou tudo e dividiu o momento comigo. Eu estava saindo de serviço em uma base naval no Rio Grande do Norte, servi lá em 1996 segundo semestre. Era uma noite tranquila de céu bem estrelado e já passava da meia noite.  

Assim que sair da guarita que ficava em uma parte mais alta da base, caminhei para o alojamento depois de passar o serviço para outro companheiro. A descida até o alojamento era por uma escadaria longa e quase no final mudava de direção forçando uma virada à esquerda para finalmente chegar ao alojamento – tudo ao ar livre.

E nessa mudança da escadaria tínhamos o hábito, em algumas noites, de ficar conversando: era um ponto de encontro dos que moravam na base. Nesse dia encontrei um amigo parceiro de Pelotão ele estava lá só, olhando as estrelas e colocando os pensamentos em dia, não estava conseguindo dormir. Cheguei e ficamos conversando já que tinha finalizado meu serviço.

E ele tocou no assunto, perguntando se eu já tinha visto uma luz forte no céu como uma estrela que brilhava de forma mais intensa durante as noites de serviço. Comentou apontando para o local de onde tinha avistado por duas vezes. Espantado falei que sim, e que até parei um dia pensando que era um avião ou Helicóptero. Ele logo fez questão de dizer que não era avião porque a luz era fixa e vinha quase do meio do céu – ou seja, uma área que correspondia ao seu espaço ao olhar para cima. E mais uma vez falei do helicóptero, da luz que vem de baixo do equipamento. Ele questionou falando que não escutava barulho nenhum.

Foi exatamente nesse momento que ele apontou e disse : “é uma luz igual aquela”. Olhei e percebi que já tinha visto aquela mesma luz em outros momentos quando ficava de serviços na guarda, e respondi que sim. Ficamos ali parados observando a luz que estava crescendo e não parava. “Acho que ela está ficando maior”, comentei. Realmente ela crescia e estava a cada segundo maior! Paramos, estáticos, e ficamos sem falar nada por uns segundos. Esperávamos um barulho ainda pensando, talvez, num helicóptero, quem sabe. Mas em vão! E ficou tão grande, em certa hora era bem maior que aeronave conhecida, chegando a clarear em volta de onde estávamos. Parados, petrificados, ficamos estáticos. Nesse momento a luz foi tão forte que ofuscou batendo em nosso corpo intensamente reluzindo com a luz.

Não deu para segurar, e o instinto de sobrevivência foi maior: corremos e descemos o resto das escadas quase que voando, pegamos caminhos diferentes para o alojamento e nos encontramos dentro dele, onde pulamos direto para as nossas camas. Por alguns minutos ficamos calados deitados esperando que algo acontecesse, mas nada aconteceu em seguida.

Levantei para dar uma olhada pelo portão do pelotão e não havia nada lá fora, nem ninguém. Chamei meu parceiro e falei: “Nada lá fora”. Ele se levantou com os olhos mais esbugalhados que os meus, me fazendo prometer que não iriámos contar nada daquilo para ninguém. O que aconteceu na verdade é que nem mesmo comentamos mais a respeito do ocorrido.

E não falei nada até hoje, dia 29 de Dezembro de 2020, há quase 25 anos do episódio.

Vendo um pouco sobre ufologia, com mais calma, nos últimos anos comecei a pesquisar o assunto – vídeos, programas e livros de Zecharia Stchin têm feito entender que talvez naquela noite tenhamos escapado de uma abdução dupla. O será que o rapto aconteceu? Já que nos relatos de abduções o tempo passa de forma diferente, para nós se passaram segundos, mas poderíamos ter ficado horas com os Aliens apagando depois nossa memória. Hoje ainda aquele momento me vem à cabeça junto com a mesma pergunta… Será que fomos abduzidos?

Alê Neres é podcaster e criador do projeto Nosso Quintal