Monstros Marinhos?

Ao longo dos séculos, os marinheiros que se arriscavam na travessia entre as Américas e a Europa deixaram inúmeros relatos sobre os encontros com serpentes monstruosas e criaturas aparentemente sobrenaturais. Foram situação marcadas pelo pavor, mas também pela curiosidade.

Um desses avistamentos mais famosos se deu justamente no litoral do Brasil. Em 1905, tripulantes do vapor Valhala viram com clareza “uma enorme barbatana ou membrana que emergia da água” e “era da cor de uma alga castanho-escura, apresentando uma espécie de ruga na extremidade”.

A precisa descrição é de dois membros da Real Sociedade Zoológica Britânica que estavam a bordo do barco: Meade Waldo e Michael Nicholl. Os ingleses observaram ainda que a barbatana deveria ter 1,80 de comprimento e pertencia a um monstro que projetava uma sombra gigantesca. E isso não foi o mais surpreendente.

Logo depois, em frente à membrana, “emergiram da água uma cabeça e um pescoço de tamanho considerável. Este último parecia ter a grossura do corpo de um homem. A cabeça, bem como o olho, eram análogos aos de uma tartaruga”. Vale ressaltar que depoimento partiu de dois respeitáveis cavalheiros britânicos em pleno século XX.

A nossa cultura popular também registra – em forma de lendas mantidas pela tradição oral – aparições desse tipo. A mais intrigante das histórias brasileiras sobre monstros do mar se passa na ilha de Fernando de Noronha, a principal do belíssimo arquipélago do mesmo nome que pertence ao estado de Pernambuco. Na ilha, que dista 545 quilômetros do Recife e já foi usada como presídio, existe a praia do Sueste, uma formosa baía cercada por pedregulhos e tida como encantada. Nela, segundo a escritora Marieta Borges em seu livro “Fernando de Noronha – lendas e fatos pitorescos”, existe “um monstro marinho maior que um casco de navio”.

Conta Marieta Borges que a tal criatura “costumava aparecer na calada da noite, surgindo à flor d’água, dando a impressão de uma ilha”. E prossegue a escritora:

“Certo dia um pescador noturno, avistando ali uma elevação e pensando tratar-se de uma ilhota, subiu no dorso negro e arqueado do monstro, lançou a linha, esperando pescar uma bicuda. De repente, a suposta ilha foi se deslocando e afastando-se da terra, até sumir com o pescador…”

Marieta acrescenta que outros profissionais da linha e do anzol afirmam ter ouvido os rugidos da criatura descomunal que assombra os moradores de Fernando de Noronha. Sons estrondosos “que chegavam a abalar os montes, como que reclamando que fossem os pescadores tão pouco cautelosos”.

Portanto, prezando leitor, não deixe de visitar Fernando de Noronha se tiver oportunidade. Mas fique bem atento quando se banhar nas águas da praia do Sueste…

Contado por J. L. Munguba