Morador Invisível

“…a única opção era a luz do candeeiro.”

Quando eu era criança, meu pai adorava contar histórias de “trancoso” e “malassobros” da cidade de Amaraji, distante alguns quilômetros do Recife. Nasceu e se criou por lá e não esquece as coisas estranhas que aconteceram diversas vezes, numa casa em que a família dele morava.

Contava que, certa vez, ele e meu avô estavam no quarto – meu pai sentado na beira da cama, meu avô deitado – e minha avó na sala lendo um livro. Nesta época, as luzes da cidade se apagavam às dez da noite e a única opção era a luz do candeeiro. Num determinado momento, na escuridão da noite, papai ouviu os passos arrastados de uma pessoa que veio da sala para o quarto e parou exatamente na sua frente. Ele sentiu a presença de alguém, mas quando levantou os olhos para tentar enxergar quem era, não havia ninguém. Meu avô que estava deitado, também ouviu aqueles passos pesados.

Vendo que a luz do candeeiro continuava acesa na sala, meu avô já temendo a resposta, perguntou a minha avó se ela tinha ido ao quarto e parado bem ali pertinho de meu pai. Para medo e espanto dos dois, ela disse que não tinha nem levantado da cadeira! Meu pai disse que percebendo que aquela presença não era deste mundo, sentiu um arrepio cruel tomar o seu corpo e, num ato de pavor, pulou para junto do meu avô e se cobriu dos pés a cabeça.

Papai também contava que, uma noite, minha avó acordou e viu meu avô na porta que dava pra cozinha, com uma arma na mão, afirmando que um ladrão havia entrado na casa e estava na cozinha, mexendo em tudo. Minha avó também ouviu o barulho de objetos sendo revirados. Nesta hora meu avô preparou a arma e pediu que ela abrisse a porta de vez. Mas, para a surpresa dos dois, quando a porta foi aberta, não havia ninguém e tudo estava na mais perfeita ordem.

Depois de outros acontecimentos estranhos, a conclusão que chegaram foi que além da família, a casa tinha mais um morador que eles não podiam ver, mas podiam sentir sua presença e ouvir seus passos durante a noite. Até hoje meu pai se arrepia ao lembrar essas experiências que passou e tem certeza que aquele morador do outro mundo continua lá naquela casa, pois ninguém conseguiu morar lá por muito tempo.

Contado por Erika Gomes

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