Morei numa casa mal-assombrada

Quando eu era pequena, fomos morar numa casa antiga que meu pai comprou a um viúvo. Soubemos depois que naquela casa ele mantivera a esposa morta em cima da cama por quatro dias, esperando que ela acordasse. Um filho do casal já havia morrido aos três anos de idade e diziam que estava enterrado no quintal. Eu e minha irmã começamos a ver a mulher e a criança a partir do momento em que nos mudamos para lá.

Minha irmã certo dia se queixou de estar com os dentes dormentes. Quando perguntei o motivo, ela respondeu: dei uma mordida na mulher. Ninguém em casa acreditou, só eu. E foi sempre assim, a gente chegou a apanhar por falar nos fantasmas, então passamos a falar entre nós duas.

Depois que me casei, fiquei morando na casa. Sabe quem veio? O menino. Um dia fui acordada com uma mãozinha me tocando. Abri o olho e vi a manga do pijama dele. Levantei e o segui, achando que era meu filho, que na época tinha a mesma idade querendo água. O vulto foi para o lado da sala e fui pegar água. Enchi o copinho dele e quando trouxe para ele, não havia ninguém. Gritei na hora e acordei meu marido que veio correndo ver o que era. Fomos ver onde meu filho estava e o encontramos no quarto dele, dormindo feito uma pedra. Não tinha sido ele. A babá também uma vez foi surpreendida pelo menino fantasma que veio por trás, e ficou desesperada chorando. Pegou as malas na hora e foi embora. Pouco tempo depois, nos mudamos. Não dava para viver naquela casa mal-assombrada.

Contado por Malsan Albuquerque

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