O Espectro na Janela

Naquele noite eu estava em casa assistindo TV depois de um dia cansativo de trabalho. Não me lembro bem qual era o programa, mas não posso esquecer os fatos aterradores que aconteceram a partir daí. Tudo começou depois das onze e meia: as luzes do ambiente estava apagadas, só havia a luz da tela na penumbra, e pela janela da sala pensei ter visto alguém. Esfreguei olhos, reparei novamente e não enxerguei nada de anormal.  Voltei  o foco à TV, mas a impressão estranha se repetiu. Estava me sentindo mal com aquilo e resolvi me recolher no quarto. Foi quando ouvi a coisa mais horripilante de toda minha vida: um grunhido estranho como se alguém estivesse preso e quisesse se libertar!

Cheguei próximo da janela, quase com o rosto colado no vidro, e finalmente percebi o que era. Ele estava lá: um homem de sobretudo e chapéu mais ou menos um metro e noventa, rosto barbado e expressão pálida dizendo “liberte-me, preciso descansar”. A aparição sumiu no ar e quando, percebi tinha molhado as calças de tanto medo! Fiquei o dia inteiro em choque e, naquela mesma noite, o fantasma invadiu meus sonhos. Disse-me várias coisas, inclusive como morrera. Contou quem era o seu assassino:

“Era uma tarde ensolarada, quando ele me pegou justamente aqui. Eu amava filha dele e não poderia imaginar que seria capaz de tal coisa. Amaldiçoou-me dizendo que eu jamais descansaria por ter feito mal à moça. Sofri as terríveis dores dos cortes desferidos por seu facão. Desde então, vago por aqui e preciso de sua ajuda para descansar. Liberte-me”.

Ao acordar  um tanto atordoado, senti uma intensa vontade de ir quintal de minha casa tomar um pouco de sol. Lá veio um desejo bizarro, quase uma ordem inconsciente, de remexer o terreno perto da janela na qual havia visto a espectro. O receio tomou conta de mim, porém a curiosidade era maior. Não sei bem o que me levou a fazer isso, mas peguei a pá que guardamos na garagem e comecei a escavar sem parar.

Logo um objeto macabro se revelou: um crânio humano! A repulsa tomou conta de mim e joguei  a caveira longe. Liguei para a polícia inventei algo como “estava escavando uma pequena piscina e achei esta droga”. Eles o desenterraram, encontraram um esqueleto completo. Semanas depois, um perito do IML me disse que a ossada era antiga, provavelmente de um homem morrera no século XIX – certamente os restos mortais estavam no terreno antes da minha casa ter sido construída no local. Onde fica minha residência? Melhor não revelar….

Os ossos foram levados para um cemitério, onde foram enterrados numa cova para indigentes, mas de uma forma apropriada. Sonhei com o estranho sujeito novamente, desta vez me agradecendo pelo que fiz. Disse que me deixaria em paz. Espero!

Contado por Marlon Osborne

Categorias