O Garoto da Gruta (Garuta)

Um garotinho muito simpático e educado gostava de caminhar pela ilha onde morava. Mesmo muito jovem já tinha por hábito alertar as pessoas para o cuidado com o meio ambiente. O seu lugar preferido nas horas vagas era uma linda gruta – que diziam ser encantada – com águas frias e calmas. O ponto mais profundo era muito úmido; e frio de bater o queixo.

A gruta por sua beleza e tranquilidade atraía grande quantidade de turistas e – a maioria deles – com muita falta de educação, pois deixavam seus rastros por onde passavam: copos, garrafas, embalagens de pipoca e salgadinho manchando toda aquela paisagem. Ao contrário destes turistas, o garoto agia como fiel guardião da natureza, mesmo a mais profunda – e via tudo aquilo sendo degradado e se transformando em enorme lixão subterrâneo.

O Garuta –  Garoto da Gruta – com muita disposição e senso de preservação do meio ambiente, pegou um grande saco de lixo e começou a recolher tudo que via pela frente. Entretanto, era muita sujeira para ele – sozinho – dar conta de limpar tudo. O Garuta passava horas, dias até, catando aqueles resíduos que pareciam nunca acabar. Sobreveio então, apesar de muito cansado, uma ideia que lhe parecia brilhante, pois “mataria dois coelhos numa cajadada só”. E foi quando tocou fogo em todo aquele lixo. Com o calor se livrava do frio, e, ao mesmo tempo, eliminava seu pior inimigo, o lixo.

Mas, algo deu errado. O fogo consumiu resíduos plásticos e produziu fumaça altamente tóxica. E foi assim que ele morreu asfixiado com o lixo abandonado pelos turistas.  Reza a lenda que o Garuta aparece nas noites mais frias perambulando a procura de grutas com lixo para tocar fogo.

Texto e  Ilustração de André Soares Monteiro: artista Brasileiro, nascido no Recife no ano de 1967 que une em seu trabalho sustentabilidade e arte de forma lúdica, colorida e de grande relevância social. André é autodidata e o idealizador do Catamisto – Catar e Misturar o lixo e transformar em arte humanitária.

Técnica da ilustração: pintura sobre fotografia de Miguel Igreja.