O Sinistro Macobêba

No final da década de 1940, um personagem sinistro começou a percorrer as ruas do Sítio Histórico de Olinda. Aparecia vestindo uma imensa capa negra, tinha um caminhar ligeiro e trôpego, e ainda emitia uma horrenda gargalhada. Assustava principalmente os casais de namorados que passeavam por ali à noite, entretidos nos últimos abraços e beijinhos antes de se recolherem às suas residências. O estranho sujeito aproximava-se sorrateiramente, berrava deixando moças e rapazes apavorados, e, tão rápido como surgira, desaparecia nas vias estreitas e mal iluminadas.

Essa figura bizarra, com comportamento de lobisomem que cumpre uma maldição e figurino de vampiro de cinema noir, logo ganhou um nome: Macobêba – denominação, aliás, herdada de outra assombração semelhante presente no imaginário antigo dos pernambucanos. Muitos jovens se divertiam com o boato, contavam as façanhas do Macobêba, o descreviam mais horripilante do que realmente era só para ver a reação dos colegas.

Mas o medo de tal entidade medonha tomou conta de vários moradores da área. Alguns pensaram até em caçar e matar a criatura. Um delegado tomou uma providência enérgica e chegou a prender um suspeito que estaria perpetrando a brincadeira de mau gosto. De nada adiantou. Não é que monstrengo voltou a dar suas carreiras e atormentar os olindenses?

O caso virou manchete do jornal vespertino Diário da Noite, que publicou várias reportagens para alimentar a polêmica. Mas, na verdade, o estranho Macobêba não tinha nada de sobrenatural. Era um ator chamado Mário Salaberry. Ele fazia uma “performance” nas antigas ladeiras para promover uma peça de teatro que estava em cartaz no Recife. Depois de muita especulação, o jornal acabou revelando a brincadeira.

Não há certeza que de a peça conseguiu atrair o público. Mas não resta dúvida que Macobêba havia se tornado famoso: chegou a virar tema de música de carnaval de autoria do grande compositor de frevos Levino Ferreira, isso em 1949.