Olhos na Escuridão

“… vi dois olhos pequenos de cor avermelhada…”

Tinha sete ou oito anos quando tudo aconteceu. Eu estava sem sono e não consegui dormir naquela noite. Fui para a sala, ver TV na sala. E antes da sala havia uma outra sala menor. Essa tinha duas portas: uma dava para à sala onde eu me encontrava e a outra para uma escada que levava para o piso superior da residência. As duas estavam trancadas a chave. Lá pela meia-noite, escutei um forte barulho lá em cima, onde não havia ninguém.

Meus pais, que também estavam na sala, escutaram o barulho: mais parecia como se alguém estivesse caminhando em direção às escadas. Peguei as chaves e abri as portas. Depois que abri a segunda, continuei ouvindo os passos. Olhei lá para cima e vi dois olhos pequenos de cor avermelhada. Em volta deles havia uma linha clara, mas não muito, quase apagando, com a forma de um rosto humano. Eu me assustei e perguntei:”Quem é você? O que quer comigo?”

ntão aquela coisa – não sei como denominar – me respondeu com uma voz calma e serena, meio ecoante: “Venha cá. Venha cá. Quero te acariciar.”. Eu me assustei mais ainda. Acendi a luz e, na mesma hora, a figura estranha desapareceu no ar.

Fiquei com muito medo de subir para ver onde estava aquela “coisa”. Um ano depois, quando a casa foi reformada para ser vendida novamente, os pedreiros encontraram uma porta que estava escondida embaixo da escada. Eles abriram a porta, e atrás dela, havia uma escadinha que dava para um porão. Desceram até lá. No ar, um leve cheiro de alguma carcaça em decomposição!

Foram caminhando com lanternas, em direção a um cantinho pequeno no fundo do porão. Lá existia um esqueleto, com roupas rasgadas de mulher. Quando fiquei sabendo disso, pensei naquela figura estranha que eu vi na escada. Um detalhe esclarecedor sobre o esqueleto: nas roupas, existiam dois furos. E debaixo deles, duas balas de revólver pretas de sangue.

Contado por Michael Ferreira de Godoy

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