Pavores no Arquivo Público

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O prédio fica na Rua do Imperador, número 371, bairro de Santo Antônio – Centro do Recife. Foi construído para ser a Casa de Câmera e Cadeia do Recife em 1731. Lá, ficou preso o Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, executado com um tiro em 13 de janeiro de 1825, depois de se tornar um dos líderes da Confederação do Equador, o movimento liberal que lutou contra o imperador Dom Pedro I. Em 1945, o prédio se tornou a sede do Arquivo Público Estadual, responsável pela preservação de documentos históricos e periódicos, que hoje podem ser consultados por estudantes e pesquisadores.

Mas as paredes daquele tradicional edifício não guardam só a memória de Pernambuco. Alí também existem mistérios que estão longe de uma explicação. Testemunhas falam de ocorrências insólitas, de encontros com figuras vestindo roupas antigas. E há quem diga que o espírito do mais famoso mártir pernambucano ainda espera por justiça e, por isso, não desistiu de assombrar o velho edifício. Experiências sobrenaturais registradas numa reportagem publicada no Diário de Pernambuco em outubro de 1992, escrita pela jornalista Sandra Correia:

Além de milhares de livros, o Arquivo Público Estadual possui curiosas historinhas de espectros. Um pesquisador menos avisado pode, por exemplo, dar de cara com Frei Caneca entre as estantes do lugar. O que aconteceu com Marli Rangel, funcionária do Arquivo há 15 anos.

Marli estava na seção de periódicos quando viu um homem de preto, sorrindo para ela. Resolveu descer para saber de quem se tratava e constatou que não havia ninguém. “Quase morri do coração”.

Tempos depois a bibliotecária viu uma fotografia num livro e reconheceu Frei Caneca na figura “muito simpática” de dias atrás. “Não sou a única a ver almas por aqui”.

Uma versão confirmada pelo sargento Francisco de Assis Ferreira, segurança do arquivo há dois anos. Ele afirma que o lugar tem muitos fantasmas: os que abrem as portas, os que quebram copos sem motivos aparentes e antigos prisioneiros.No passado o local foi a cadeia pública da cidade.

Uma noite, o sargento Assis lembra, foi até o banheiro do Arquivo buscar um balde d’água, quando enxergou um vulto. Ao se aproximar, percebeu que se tratava de um negro acorrentado. “Na hora notei que não era desse mundo”. Até hoje o segurança não se refez do susto. “Fico apavorado quando lembro”.

Contado por Roberto Beltrão