Presenças Invisíveis

Relato de uma leitora que prefere o anonimato:

Moro no bairro do Jiquiá, no Recife. Vivo com meu esposo e minha filha pequena numa das casas que foram construídas na mesma rua pelo meu pai, falecido em 2003. Ele passou boa parte da vida construindo essas residências erguidas num terreno onde antes só havia mangue. Com o tempo área começou a ser habitada e o mangue desapareceu. E por aqui ocorrem coisas muito estranhas…

Já faz um tempo que vejo vultos passando na janela, por exemplo. Às vezes sinto como se alguém tivesse me observando, principalmente quando estou lavando pratos, encostada à pia. Certa vez, entre três e quatro horas da manhã, meu marido escutou batidas na parede. Na casa da minha mãe, que é vizinha à minha, ela também presencia tudo isso: batidas, vultos… Uma vez ela até se acordou de madrugada ouvindo uma zuanda de alguém varrendo o chão!

A casa em frente à nossa está desocupada e para alugar. Ela também foi construída pelo meu pai. A gente já se acordou com sons de batidas e pisadas vindas de lá. De madrugada, às vezes ouço vozes na antiga residência vazia, com se estivessem discutindo. Penso que estas manifestações estejam ligadas ao meu pai: ele era muito apegado às casas que fez nessa rua do Jiquiá.

Uma vez, minha sobrinha estava sozinha na sala na casa da minha mãe e, do nada, saiu de lá correndo. Disse à minha mãe “que viu um homem em pé, olhando pra ela”. Falou que era o mesmo homem de uma foto que estava na estante da minha irmã, a mãe dela. Ou seja, o meu pai.

Também sinto a “presença” de uma mulher. Mas não sei explicar que espírito seria esse. Eu só sei que às vezes tenho muita vontade de sair daqui. Até já me mudei, mas terminei voltando… Aqui a sensação é que nunca só em casa: estou sempre acompanhada de alguém que não vejo.