Quem foi Laura Cemitério?

Esta é a história real de uma mulher que, com sua beleza, levou muitos homens à ruína. O texto a seguir faz parte do livro “Recife Sangrento”, um levantamento de crimes que abalaram a cidade. A obra, escrita pelo jornalista Oscar Mello, foi publicada em 1938.

Uma Mulher que fez época em Recife

Laura Passos, conhecida por “Laura Cemitério” foi uma mulher de vida fácil que fez época em Recife. Bonita e insinuante, residia em bons prédios situados nas melhores artérias da cidade. Os “coronéis” e os jovens da nossa alta sociedade frequentavam a sua casa, disputando-a. Laura passos, inteligente como era, sabia tirar partido dessa situação. Quando compreendia então que um “coronel” estava apaixonado por ela, entrava a explorá-lo, simulando corresponder a essa paixão. E quando se percebia que o “coronel” não podia mais corresponder às suas exigências, abandonava-o.

Às vezes acontecia que sua vítima não se conformava com aquele seu desprezo e insistia em visitá-la. Laura Passos, para afasta-lo de vez de sua casa, tratava de intriga-lo com outros amantes e o caso era resolvido por meio de armas. Vários crimes de mortes e de ferimentos foram cometidos nesta cidade por causa daquela perigosa mulher, vindo daí o seu batismo pelo de “Laura Cemitério.” Esta dizia sentir-se bem quando via seus admiradores em luta, disputando a sua posse, porque só assim poderia ter o seu nome em destaque. Diversos jovens que se deixaram seduzir por Laura Passos terminaram como gatunos, inutilizando-se por completo.

Dois deles ainda estão vivos e perambulam diariamente por nossas principais artérias. Entre os inúmeros amantes que Laura Passos teve, existe um, porque ainda é vivo, que praticou por ela toda sorte de desatino. Sua paixão chegou ao ponto de matar um português na praça do mercado de São José e de ferir gravemente um sargento na Praça das Cinco Pontas. A polícia processou o criminoso e, no dia de ser iniciado o sumário de culpa, em plena sala de audiência, a única pessoa que depôs contra o autor dos dois crimes foi Laura Passos, por que o autor das duas cenas de sangue sacrificou tudo o que tinha, indo até o crime. O seu amante assistiu a tudo de cabeça baixa, chorando copiosamente.

Essa mulher assim fatídica, que o levou o luto a vários lares, que separou diversos casais, que “desencabeçou” a vários jovens de nossa sociedade, tornando-os ladrões e criminosos para sustentar seu fausto, teve um fim trágico: morreu tuberculosa em Rio Branco, tendo com leito um esteira de angola e como testemunha de seus últimos padecimentos um candeeiro de querosene, que o povo de “alcoviteiro”, velando-lhe o cadáver.