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A Reunião Fantasma
Este fato se passou no prédio Faculdade de Direito
do Recife. Alguns departamentos funcionam nos porões do edifício
e numa sexta-feira chuvosa, no fim da noite, um zeloso funcionário
estava arrumando os papéis, adiantando o serviço da segunda
seguinte. A sala era dividida em dois ambientes, separados por uma divisória
de fórmica. Dado o adiantado da hora, não havia muitas pessoas
na faculdade, muito menos na parte de baixo.
O funcionário, ao entrar na sala, acendera apenas a luz do lado em
que ia ficar. A única janela, quase um postigo, ficara fechada. Ao
começar a separar os memorandos, ele notou um barulho de cadeiras arrastando.
O ambiente ao lado era geralmente usado como sala de reuniões, e o
ruído viera, com certeza de lá. Este é um daqueles momentos
em que você procura se obrigar a ser cético, lógico e
incrédulo.
Tudo talvez ficasse na mesma, se as luzes não
piscassem duas vezes, e novos ruídos soassem. De repente, o funcionário
ouviu vozes masculinas. Não conseguiu distinguir o que se falava, mas,
arrepiado, viu três pessoas. Duas das figuras eram semelhantes: senhores
magros, altos, usando um terno branco. O outro era um senhor gordo, que não
estava totalmente visível. O funcionário reconheceu, arrepiado,
dois falecidos chefes do mesmo departamento em que ele se encontrava.
Antes que seus serviços fossem solicitados, saiu às pressas
da sala, só tomando o cuidado de jogar os papéis na gaveta.
Quando chegou à parte de cima do prédio, inventou uma desculpa
e mandou o vigia apagar e fechar a sala. E que ele guardasse a chave na secretaria.
Recebeu um olhar irônico do vigia, olhar de quem muito tinha visto em
noites e noites de trabalho e convivência tranqüila com sombras
e vultos de outros tempos.
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