Tesouro Maldito

As Botijas podem estar cheias de riquezas amaldiçoadas…

As botijas são tesouros escondidos nas velhas casas assombradas. Segundo a crença popular, só a alma penada da pessoa a quem pertenceu essa riqueza deve revelar aos vivos onde a dinheirama está disfarçada. E muitas vezes essa revelação pode levar à discórdia… Leia esta reportagem publicada pelo Jornal do Commercio (do Recife) em outubro de 1994:

O sonho da costureira Neuma Maria de Souza, 50 anos, com um holandês que teria lhe revelado onde achar uma botija de ouro, terminou em confusão na delegacia do município do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife. No lugar do metal, ela e o ex-genro Isaque Cândido Ferreira, 32, encontraram dentro de um vaso de barro quebrado muitas pedras. “Tenho certeza de que ele chegou no lugar antes de mim, pegou o ouro e vendeu”, acusa. A queixa foi registrada pelo delegado Alberes Félix de Souza que, mesmo incrédulo, iniciou as investigações.

A costureira diz ser médium e começou a ter visões com o holandês enquanto dormia, pouco tempo depois de Isaque também ter sonhado, em setembro passado, com um homem vestido de branco. “O homem me disse que tinha algo a me dar, só isso”, afirma.

O pedreiro Isaque resolveu contar o sonho à então sogra,que teve a complementação através do holandês. “O estrangeiro me garantiu várias vezes que havia uma botija cheia de ouro na casa de uma professora, em Prazeres”, jura Neuma. Coincidentemente, Isaque estava na época trabalhando na reforma da residência, localizada próxima ao terminal do ônibus Prazeres – Barra de Jangada.

DESENTENDIMENTOS – Ainda em setembro, Neuma e Isaque combinaram de desenterrar o pote dentro da casa e tiveram uma grande decepção: em vez de ouro, havia muitas pedras; entre elas, quartzo branco. A partir daí, os desentendimentos entre os dois passaram a ser frequentes e chegaram ao ponto de interferir no namoro que o pedreiro mantinha com a filha de Neuma. O casal terminou o relacionamento em fevereiro.

Isaque nega o furto do ouro e pede provas. “O meu marido, Amaro, é testemunha de que ele admitiu que encontrou uma barra de ouro com 20 quilos e disse que iria vender”,esbraveja a mulher. Na tentativa de acalmá-la, o delegado Alberes prometeu investigar, mas admite necessitar de evidências.

Em tempo: esse inquérito policial jamais chegou a uma conclusão!