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A Velhinha da Caxangá

Por volta de 1959, uma personagem espantosa deixou de cabelos em pé os motoristas e cobradores do ônibus elétricos da Companhia de Transportes Urbanos - a CTU, criada naquela época - que circulavam na Avenida Caxangá: uma imensa linha que corta vários bairros do Recife.


Sempre em torno da meia-noite, quando os ônibus passavam defronte do antigo Engenho Moeda, os motoristas viam uma velhinha toda vestida de preto com uma sobrinha fechada mão. Ela balançava a sombrinha num gesto largo, pedindo que o coletivo parasse.

O condutor, é claro, atendia à solicitação e a velhinha subia. Como qualquer passageira, a senhora vinha sentada e tranqüila até a esquina da Rua Benfica com a Estrada dos Remédios, justamente onde começa a Avenida Visconde Albuquerque, no bairro da Madalena. Porém, neste local, a velhinha simplesmente desaparecia do ônibus!


Os motoristas e cobradores estranharam o fato de ninguém nunca ver aquela passageira tão conhecida descer dos coletivos. Intrigados, eles resolveram ficar de olho nela. E, numa das viagens, a tripulação do ônibus viu a estranha senhora desaparecer no ar!


Depois do susto, a velha continuou a acenar com a sobrinha na parada da Avenida Caxangá todas as noites. Só que os motoristas nunca mais atenderam ao apelo daquela entidade...

Contado por Reinaldo Carneiro Leão