O General e a Mulher de Branco

O General Luís do Rego foi um militar e administrador público português nomeado pelo rei Dom João VI para reprimir a revolução de 1817 em Pernambuco, o movimento democrático que tentou  libertar a então província do domínio de Portugal – bem antes, portanto, da proclamação da independência feita por D. Pedro I.

Luís do Rego se mostrou um interventor violento e autoritário. Perseguiu os cidadãos suspeitos de envolvimento com o movimento libertário por meio de um tribunal militar. E os réus condenados muitas vezes eram enforcados e ainda tinham seus corpos esquartejados e expostos nas ruas. Por isso, o General era francamente odiado pela população de Pernambuco.

No livro “Assombrações do Recife Velho” o escritor e sociólogo Gilberto Freyre  conta uma episódio misterioso envolvendo o General Luís do Rego. Segundo Freyre,  falaram ao interventor que um antigo sobrado do Recife era assombrado pelo fantasma de uma mulher que “só aparecia ao homem a quem estivesse para acontecer desgraça ou infelicidade”.

O oficial havia estado em muitas batalhas na Europa, no tempo de Napoleão. E como se achava destemido, ficou curioso para conhecer o tal casarão mal-assombrado. Quando chegou lá com mais dois amigos, viu logo a aparição sinistra e teria gritado para os companheiros:

– Olhem a mulher! Olhem a mulher!

Mas os outros homens nada viram. Era sinal que alguma coisa ruim poderia acontecer com o General. Esse encontro espectral é recriado aqui pelo olhar do fotógrafo Lucas Evaristo.

Coincidência ou não, Luís do Rego sofreu uma tentativa de assassinato em julho de 1821: na Ponte da Boa Vista, um rapaz bem vestido se aproximou e lhe desferiu dois tiros de pistola à queima-roupa. Apenas um disparo  atingiu um dos braços do militar. E, de acordo com o reportagem do Diário de Pernambuco:

“O rapaz que disparou contra Luís do Rego jogou-se no Capibaribe e desapareceu na escuridão. Dias depois seu cadáver foi encontrado, mas com o rosto tão comido pelos siris que não pôde ser reconhecido. O governador mandou, então, expô-lo em praça pública, e ofereceu a grossa recompensa de um conto de réis, se fosse homem livre, ou a liberdade, se fosse escravo, para quem o identificasse. Mesmo assim, não apareceu ninguém para prestar esse serviço, tamanho era o ódio que os pernambucanos lhe votavam.”

Luís do Rego sofreu muitas dores por causa do ferimento provocado pelo atentado. Por causa de mudanças na política do sistema monárquico que comandava Brasil e Portugal, o militar se viu obrigado a se afastar do governo de Pernambuco em outubro de 1821. Para alívio dos pernambucanos, o general sanguinário voltou para Portugal, onde morreu em 1840.

Contado por Roberto Beltrão

Fotos: Lucas Evaristo (contatos: facebook.com/lucas.evari; Instagram: @l_evaristo; luc.albuq.evaristo@gmail.com)

Atores: Cecilio Beserra e Bárbara Souza