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  • Foto do escritorLucas Rigaud

Crítica | Five Nights At Freddy's: O Pesadelo Sem Fim

Primeira adaptação cinematográfica de clássica série de jogos não impressiona, mas deve divertir o público mais jovem



Five Nights At Freddy’s: O Pesadelo Sem Fim acompanha Mike Schimidt (Josh Hutcherson), um jovem com problemas financeiros responsável pela irmã mais nova, que arranja um emprego como segurança no abandonado Freddy Fazbear's Pizza, uma antiga pizzaria onde robôs animados faziam a festa das crianças durante o dia. Mas, quando chega a noite, eles se transformam em assassinos psicopatas.


Talvez, tanto o público quanto a crítica especializada já tenha aprendido a não criar expectativas com produções cinematográficas baseadas em vídeo games de sucesso, tirando, claro, algumas gratas exceções, como a série animada da Netflix Castlevania e o sucesso Super Mario Bros.: O Filme. Salvos alguns exemplos, existem adaptações de jogos influentes que conseguem cair no esquecimento, não pela infidelidade à obra original, mas por proporcionar nada além de pífias referências, facilmente captadas pelos fãs, e simplesmente reproduzir o que consta no modo história do game para as telonas, sem qualquer intervenção criativa, ou até mesmo recursos imagéticos capazes de intensificar a experiência do espectador. O novo terror da Blumhouse Productions, Five Nights At Freddy’s: O Pesadelo Sem Fim, inspirado na série de games homônima que teve início em 2014, acaba tristemente se encaixando nessa lista, que só tende a crescer, de produções simplesmente esquecíveis por nada oferecer além do básico.


Bonnie, Freddy e Chica. Imagem: Universal Pictures/Reprodução

Convenhamos que, apesar da criatividade proposta pela obra e da jogabilidade simples e funcional, Five Nights At Freddy’s, de Scott Cawthon, é uma série de jogos com notável reconhecimento que não tem a devida atenção em outras mídias. A originalidade da obra permitiria grandes incentivos no cinema, TV, quadrinhos, entre outros veículos, e, quando finalmente é adaptada para a sétima arte, falha por não ousar, tampouco fazer bom uso de sua ótima proposta. O roteiro, que teve desenvolvimento do próprio criador da franquia, Scott Cawthon, em parceria com Seth Cuddeback, Chris Lee Hill, Tyler Maclntyre e a diretora Emma Tammi, aproveita a base da história do game, utilizando do sequestro de crianças como principal artifício do suspense. Por outro lado, a ideia principal escanteada ao dividir espaço com dramas pessoais dos protagonistas, que só conversam com a trama envolvendo os bonecos assombrados após uma cansativa e desnecessária introdução. A escrita constantemente sofre com repetições e resoluções óbvias, inseridas na história para acelerar o processo, ou simplificar o que já é simplório.


Caso a carga dramática fosse melhor trabalhada, no que se diz respeito aos conflitos vividos pelos personagens Mike, interpretado por um esforçado Josh Hutcherson, e Abby, vivida pela doce estreante Piper Rubio, era possível sentir uma certa empatia por toda a situação de responsabilidade parental, que é mostrada em Five Nights At Freddy’s: O Pesadelo Sem Fim de maneira mais genérica possível, com a única finalidade de estabelecer um casamento arranjado com a premissa sombria que funcionaria sem precisar do apelo dramático típico para “encher linguiça”. Matthew Lillard, que atrai a atenção de fãs da franquia Pânico e Scooby-Doo, é a ponte que liga as duas tramas, o que não é novidade para ninguém. Devidamente caricato, seu personagem merecia mais destaque em tela, uma vez que ele acaba sendo importante para, pelo menos, uma compreensão melhor da narrativa. Elizabeth Lail, que interpreta a policial Vanessa, personagem sinceramente aleatória, chega a ser uma boa adição ao elenco devido ao carisma e versatilidade da atriz. O que deveriam ser o verdadeiro foco do filme, ou seja, os bonecos animatrônicos que conquistaram uma legião de fãs gamers no mundo inteiro, ficam, infelizmente, em segundo plano, sendo pouco utilizados em momentos de ação e horror. Freddy, Chica, Bonnie e Foxy são bem construídos e o visual está impecável, mas estão nada funcionais na trama. Os fãs mais jovens, que não gostam de sustos, ou, até mesmo, adolescentes que desconhecem os jogos, podem encontrar um entretenimento nas sequência em que os bonecos dão as caras.


Elizabeth Lail e Josh Hutcherson em FNAF. Imagem: Universal Pictures/Reprodução

É visível o esforço da diretora Emma Tammi em procurar entregar ao menos um terror convencional. Porém, a lamentável inclusão de elementos básicos, como sombras e pseudo-sustos mal aplicados, e clichês narrativos em excesso impedem uma experiência verdadeiramente assustadora, implicando, inclusive, no fator diversão. Chega a ser inacreditável pensar que os sustos inesperados dos vilões, comuns e funcionais nos games, mal estão presentes na adaptação, o que empobrece a trama, que considera apenas insinuações de violência gráfica, penumbras e efeitos sonoros.


Pouco inspirado em oferecer mais além do básico e do clichê, Five Nights At Freddy’s: O Pesadelo Sem Fim dificilmente agradará os fãs mais velhos da franquia, que esperavam um filme que fizesse jus a medonha saga de jogos. Por outro lado, o apelo para uma aventura familiar dramática visto no filme pode cair como uma luva para um público mais jovem e despertar o interesse deste na série de jogos.


Nota: ⭐⭐



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