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Crítica | Jogos Mortais X

Novo filme da icônica franquia de terror procura se reinventar com história melodramática que, surpreendentemente, funciona.


Por: Lucas Rigaud

 

Em seu décimo filme, a franquia Jogos Mortais presenteia os fãs com uma história inteiramente focada em seu antagonista principal: Jigsaw. Jogos Mortais X (Saw X) mostra adoecido John Kramer (Tobin Bell) viajando para o México para um procedimento médico arriscado e experimental. Mas ao chegar no destino, se depara com um ambiente macabro, e descobre que toda a operação é uma farsa para enganar pessoas já prestes à morrer.


Existem franquias que, de fato, não sabem a hora de parar, espremendo até o último sumo de conteúdo, com a finalidade de alimentar fã sedentos por mais, ocasionando uma infeliz escassez de novidades que acabam por não saciar a sede do público que passa a beber de outras fontes. Para superar esse obstáculo, a saga Jogos Mortais não só teve a brilhante ideia de trazer de volta o ator Tobin Bell como também criar uma nova atmosfera para história, chegando a criar um interessante estudo de personagem para o serial killer John Kramer, mais conhecido como Jigsaw, com o décimo capítulo da franquia, Jogos Mortais X (Saw X). Tudo isso, claro, sem perder a essência dos filmes clássicos.


Imagem: Lionsgate/Reprodução

A nova trama parte de um princípio simples, entre os acontecimentos de Jogos Mortais (2004) e Jogos Mortais 2 (2005), mostrando como um enfraquecido Kramer, tomado pelo câncer, busca por uma cura do mal que lhe aflige em uma narrativa a princípio melodramática e que foca, com um certo sentimentalismo, na mente esperançosa do personagem e, talvez, arrependida, que poderia se reestruturar após ter passado por um trauma como enfrentar um câncer. O roteiro de Josh Stolberg e Pete Goldfinger, apesar de se apoiarem a velhos clichês da série, trabalham com sutileza na apresentação da história do décimo filme, contextualizando bem o que será abordado ao longo da projeção.

Por outro lado, é possível sentir uma certa confusão quando tentamos ligar os eventos desse décimo filme aos demais capítulos da série, ainda mais quando levamos em conta a roupagem diferenciada atribuída a Kramer e a inesperada sensibilidade dessa nova história.


Mas, apesar de sensível em alguns momentos, a estética gore presente na série continua firme e forte e, talvez, com mais classe e trabalhos minuciosos na parte técnica. Em Jogos Mortais X, as armadilhas não são surpreendentes ou construídas demais engenhocas que  fazem o público se perder, e sim mais simples, porém altamente eficazes, ostentando também curiosos simbolismos associados a cada “vítima”, que vão de pecados, escolhas erradas e ambições. Os efeitos visuais práticos tomam conta da tela em ótimas sequências de violência, que também deixa de lado o fator inventivo para focar em algo bem trabalhado e esteticamente sem falhas. A direção de fotografia também merece um destaque por evitar o uso da “câmera nervosa” a todo instante, permitindo que o público acompanhe com mais precisão a agonia das cenas. Grande parte desse feito também se dá pela direção assertiva de Kevin Greutert, já conhecido da série e, de fato, grande entusiasta da história de Jigsaw por levar adiante o legado de James Wan (diretor e criador da saga).


Imagem: Lionsgate/Reprodução

O elenco de Jogos Mortais X não está só bem representado pelo inegável talento de Tobin Bell, que surpreende aqui por demonstrar uma atuação dramática, como também por Shawnee Smith, que retorna como Amanda, e Synnøve Macody Lund, que brilha como a antagonista Dra. Cecília Pederson.


Simples a princípio, Jogos Mortais X surpreende ao ousar atribuindo à saga uma história de identificação com as dores e falsas esperanças do personagem principal, sem tirar a essência medonha da franquia e do próprio Jigsaw. Poderia ser um final digno para a franquia, mas, dependendo do sucesso, podemos esperar por mais produções ambientadas no universo Jogos Mortais, novas armadilhas e mais duros golpes no estômago sobre como deve-se valorizar a vida e se arrepender de atos hediondos.


Nota: ⭐⭐⭐/2



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