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Crítica - MaXXXine

Atualizado: 6 de jul.

Capítulo final de trilogia que brinca com o slasher e o terror psicológico parece contida e cautelosa até demais, mesmo flertando com críticas ao puritanismo


Ambientado na Hollywood dos anos 1980, MaXXXine acompanha a estrela de filmes adultos e aspirante a atriz Maxine Minx (Mia Goth), que finalmente parece ter conquistado a chance de fazer sua estreia triunfal na sétima arte. Mas, quando um misterioso assassino começa a cruzar seu caminho, uma trilha de sangue ameaça revelar seu passado sinistro.


Após os catárticos desdobramentos narrativos que se vê em X: A Marca da Morte e Pearl, terrores de procedência anteriormente duvidosa que se provaram perspicazes exercícios de inventividade e entretenimentos a ponto de serem considerados clássicos modernos que vem moldando o gênero cinematográfico na atualidade, era de se esperar um desfecho no mínimo satisfatório, ou que seguisse a agudeza proposta do igualmente sagaz Ti West, de escancarar como tributo e subverter com acidez os clichês mais praticados no slasher e até mesmo na indústria pornográfica. MaXXXine dispõe da louvável idealização da franquia, mas de maneira mais contida, beirando o forçado e a pressa em apresentar suas ideias em atos que acabam não se entendendo, tampouco estabelecendo um grandioso casamento com a interessante proposta.


Imagem: Universal Pictures

Ambientado em 1985, MaXXXine é realmente um deleite imersivo ao representar com maestria a época e os costumes oitentistas. Ao utilizar protestos e críticas de grupos conservadores contra a indústria cinematográfica dos anos 80 e a onda de crimes reais cometidos pelo serial killer conhecido como Night Stalker (alter-ego do criminoso Richard Ramirez), o roteiro de Ti West não só sub-utiliza essas poderosas sub-temáticas que poderiam alavancar ainda mais a história central do filme, como faz um uso questionável destas para transformá-las em míseros planos de fundo. Há uma promessa constante em aprofundar essas tramas, ainda mais com a inclusão de personagens curiosos, como o detetive particular John Labat vivido pelo sempre entusiasmado e espirituoso Kevin Bacon, e os detetives de Polícia de Los Angeles Williams e Torres, interpretados respectivamente pelos ótimos Michelle Monaghan e Bobby Cannavale, todos eles utilizados de maneira rasa e em cima de clichês que não se esforçam para, no mínimo, parecerem engraçados (exceto uma sequência de humor ácido específica envolvendo o personagem de Bacon).


Há um desperdício quase que pecaminoso de elenco em MaXXXine, já que o longa conta com nomes de peso para os núcleos secundários. Giancarlo Esposito, Elizabeth Debicki, Lily Collins, entre outros artistas, possuem seus rápidos e desinteressantes momentos, porém executam seus papéis com maestria. Cabe a Mia Goth, o que provavelmente não é novidade, assumir o fardo de carregar a produção nas costas. Provando ser a verdadeira estrela da trilogia desde “X”, Goth utiliza de sua personagem, bem escrita e desenvolvida, para fazer história no cinema de horror. Maxine Minx não só é ambiciosa, estranhamente curiosa e repleta de camadas, mas também uma personagem memorável, que ganha ainda mais força neste terceiro filme.


Lily Collins em "MaXXXine". Imagem: Universal Pictures

Além de sua icônica personagem principal, MaXXXine se destaca pela concepção visual, que aposta na fidelidade à década de 1980, longe de ser fantasiosa ou exagerada. As imagens geradas em película contribuem para um saudosismo bem aplicado na produção, prezando por composições que destacam detalhes em cena, além de uma fotografia que faz bom uso de filtros e tonalidades quentes. A trilha sonora, novamente sob a autoria de Tyler Bates, reflete levemente gêneros musicais predominantes na época, como a new wave e o pós punk.


Ti West de fato nos fez criar grandes expectativas para o desfecho da trilogia “X”. Decepciona o fato de MaXXXine optar por caminhos fáceis, além de se arriscar fora da curva, tal como seus antecessores, ainda mais quando temos uma verdadeira pérola nessa grande saga de terror, que é o indiscutivelmente genial Pearl (2022). O slasher fica levemente apagado em meio a um suspense aplicado de maneira pouco convincente, que se escora em formalidades piegas. Pouco funcional, o mistério, por outro lado, tenta acompanhar e compreender as críticas elaboradas pela trama, como a toxicidade da indústria cinematográfica e a interpretação errônea desta por grupos que pregam o puritanismo. Infelizmente, não existe em MaXXXine uma verdadeira compreensão dos males de uma cultura “puritana”, sendo mais este um tema jogado à trama para fazer sentido em seu desfecho, que chega a ser óbvio e altamente contido, desprovido de ser mais do que uma mera conclusão apressada.


Imagem: Universal Pictures
Imagem: Universal Pictures

Inferior aos seus antecessores, MaXXXine, por outro lado, conta com a essência que une inventividade, ousadia e o saudosismo ao slasher e ao terror Hollywoodiano de um modo geral, mesmo que em menor quantidade. Não é o desfecho que a trilogia X merecia, tampouco precisava, mas, pelo menos, nos deixa mais curiosos por próximas produções da parceria entre Ti West e Mia Goth.



Nota: ⭐⭐

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