O Recife Assombrado

Quais são segredos sobrenaturais que pairam nas ruas escuras e nos recantos históricos da capital pernambucana?

Sabe-se que o imaginário da cidade é habitado por fantasmas e assombrações de todos os tipos, e também por criaturas estranhas como almas-penadas sedutoras, lobisomens, caveiras falantes, estátuas que andam e até a famigerada “Perna Cabeluda”. Todo este universo mágico e assustador foi mapeado e transposto para a internet pelo Recife Assombrado (www.orecifeassombrado.com) — um site sombrio, criado há doze anos, que agora ganha uma nova versão ainda mais horripilante, segundo seus criadores. O lançamento deste projeto medonho será na terça-feira, quatro de setembro, a partir das 19h, no auditório da Livraria Cultura. Da programação do evento constam o sorteio de livros, uma palestra para explicar o porquê do Recife ser a cidade mais assombrada do Brasil e um espetáculo teatral da Vivaz Cia. de Artes que conta histórias de meter medo.

Os fundadores do site — e também responsáveis por esta repaginada feita a partir da concepção inicial – são o músico André Balaio (ex-Paulo Francis vai pro céu) e o jornalista Roberto Beltrão. “Antes nós estávamos mais preocupados em reviver e apresentar ao público jovem, que acessa a internet, as tradicionais histórias de assombração do Recife e de Pernambuco: a meninada não conhecia a lenda do Papa-figo muito menos tinha ouvido falar da Emparedada da Rua Nova”, conta Balaio. Agora o site tem o objetivo de fomentar a ficção de horror que pode ser produzida com base nestas referências. André Balaio esclarece: “inicialmente, vamos publicar contos de diversos autores que produzem Literatura com este tema e também colocar no ar histórias em quadrinhos criadas por artistas locais que são apaixonados pelas histórias de horror”. Para fazer os HQs originais, desenhadas exclusivamente para o Recife Assombrado, os editores do site firmaram uma parceria com a Produtora Artística de Desenhistas Associados (PADA), coletivo que reúne dezenas quadrinistas de Pernambuco.

“Queremos fomentar o surgimento de um núcleo de produção de ficção fantástica identificada com o nosso imaginário popular”, explica Roberto Beltrão. “Os fantasmas e monstros que povoam a cultura difundida pela oralidade têm um grande potencial para amedrontar o público que gosta de literatura de horror; até porque, os casarões e sobrados do Recife são tão lúgubres e sombrios quanto os velhos castelos europeus das mais famosas narrativas góticas”, teoriza Beltrão. Além de contos e quadrinhos, O Recife Assombrado planeja abrir espaço para outras formas de expressão que sigam a mesma ideia, como projetos audiovisuais e encenações radiofônicas que serão transmitidas na Internet por meio de podcasts.

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